Tarifas de R$ 580 Bi e ‘Bazuca’ comercial contra Trump pela Groenlândia
A disputa pela Groenlândia escalou para uma potencial guerra comercial transatlântica. A União Europeia discute medidas duras de retaliação contra os Estados Unidos após o ultimato do presidente Donald Trump, que condiciona o fim de tarifas punitivas à venda total da ilha ártica aos EUA.
Diplomatas do bloco avaliam reviver um pacote de tarifas sobre produtos americanos no valor de € 93 bilhões (equivalente a cerca de R$ 580,5 bilhões) e ativar o poderoso “instrumento anticoerção”, apelidado de “bazuca comercial”.
O conflito ganhou força após Trump anunciar, no sábado (17), tarifas adicionais de 10% sobre importações de oito países europeus – Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Países Baixos e Finlândia – a partir de 1º de fevereiro.
A alíquota subiria para 25% em 1º de junho caso não haja acordo para a “compra completa e total da Groenlândia”, território semiautônomo da Dinamarca
Esses países, membros da Otan, enviaram tropas simbólicas para missões de treinamento na Groenlândia recentemente, o que motivou a retaliação americana.
Em resposta, os oito governos emitiram um comunicado conjunto condenando as ameaças: “As ameaças tarifárias minam as relações transatlânticas e correm o risco de provocar uma perigosa espiral descendente”. Eles reforçaram: “Permaneceremos unidos (…). Estamos comprometidos com a defesa da nossa soberania”.
Em reunião de emergência de embaixadores da UE em Bruxelas no domingo (18), diplomatas debateram opções rápidas. Um plano suspenso após acordo comercial com Trump em agosto do ano passado – tarifas de € 93 bilhões sobre bens dos EUA – poderia ser reativado automaticamente em 6 de fevereiro.
A França, liderada por Emmanuel Macron, pressiona pela ativação do instrumento anticoerção (ACI), adotado em 2023 mas nunca usado, que permite restringir investimentos, acesso ao mercado europeu e contratos públicos para empresas americanas, incluindo gigantes de tecnologia e serviços.
Um diplomata europeu, sob anonimato, disse ao Financial Times: “Precisamos baixar a temperatura”. Já o analista Jacob Funk Kirkegaard, do think tank Bruegel, alertou: “Ou travamos uma guerra comercial, ou estamos em uma guerra de verdade”.
A Groenlândia, estratégica no Ártico devido a rotas marítimas emergentes pelo derretimento do gelo, minerais raros e posição militar, é vista por Trump como essencial para conter influências russas e chinesas. No entanto, analistas apontam que reforços de segurança poderiam ocorrer via Otan sem necessidade de anexação.
As negociações devem ganhar contornos decisivos no Fórum Econômico Mundial em Davos, com encontros previstos entre líderes europeus, como Ursula von der Leyen, e Trump.
A Europa busca barganha para evitar escalada, mas depende dos EUA para defesa na Otan e apoio na Ucrânia. Qualquer guerra comercial poderia enfraquecer ambos os lados e beneficiar rivais globais.
A crise testa os limites da relação transatlântica, em meio a interesses crescentes no Ártico. Enquanto Trump projeta força, a UE sinaliza que não aceitará chantagem.
O desfecho pode redefinir alianças internacionais nos próximos meses.


















