Trump anuncia ações terrestres contra tráfico de drogas na Venezuela em “breve”
O presidente Donald Trump afirmou nesta quinta-feira (11/12) que os Estados Unidos iniciarão operações em terra “muito em breve” contra o tráfico de drogas ligado à Venezuela, ao responder a questionamentos sobre a recente apreensão de um navio petroleiro no Caribe. O republicano, no entanto, não forneceu detalhes sobre o local ou a natureza exata dessas ações.
Durante um evento no Salão Oval da Casa Branca, Trump foi questionado por um repórter se a interceptação do petroleiro, ocorrida na quarta-feira (10/12) próximo à costa venezuelana, visava apenas combater o narcotráfico ou também o controle sobre as vastas reservas de petróleo do país sul-americano – as maiores conhecidas no mundo.
O presidente iniciou sua resposta repetindo uma acusação recorrente desde sua campanha de 2024: que Caracas estaria enviando criminosos intencionalmente aos EUA disfarçados de imigrantes.
“[A ação contra a Venezuela] é sobre muitas coisas, eles nos trataram de forma ruim, e agora nós não estamos tratando eles tão bem”, declarou Trump, que alegou ter reduzido em 92% a entrada de drogas pelo mar nos EUA desde o início das operações de abatimento de embarcações no Caribe e no Pacífico. “E nós vamos começar [a agir] por terra também. Vai começar por terra muito em breve”, completou o mandatário.
A mobilização militar americana na região, iniciada em agosto de 2025, inclui o envio de um porta-aviões, caças e dezenas de milhares de soldados. Washington justifica as manobras como parte de uma ofensiva contra cartéis de drogas, mas o governo venezuelano acusa os EUA de buscarem a derrubada do presidente Nicolás Maduro e do regime chavista.
Apreensão inédita de petroleiro
Em um episódio sem precedentes nas operações do governo Trump perto da costa venezuelana, as Forças Armadas dos EUA interceptaram na quarta-feira um navio petroleiro carregado com óleo bruto sancionado.

Imagens divulgadas pelo Departamento de Justiça mostram soldados americanos embarcando na embarcação por rapel de helicóptero.
Até então, as investidas americanas no Caribe se limitavam a ataques a pequenos barcos supostamente usados por traficantes rumo ao território dos EUA. Desta vez, a ação mirou o principal ativo econômico de Caracas – o petróleo –, o que gerou questionamentos sobre se o episódio configura um ato de guerra. A Casa Branca informou que pretende rebocar o navio aos EUA e confiscar a carga.
O governo de Maduro reagiu com veemência, afirmando que “defenderá sua soberania, seus recursos naturais e sua dignidade nacional com absoluta determinação” e que denunciará a apreensão perante organismos internacionais.
O ministro das Relações Exteriores venezuelano, Yván Gil Pinto, classificou o incidente como “roubo descarado” e “ato de pirataria internacional”, alegando que expõe as verdadeiras intenções de Washington: não o combate ao narcotráfico, mas o controle sobre o petróleo.
A tensão ocorre em meio a uma escalada de ações militares dos EUA, incluindo mais de 20 ataques a embarcações no Caribe e Pacífico desde setembro de 2025. Especialistas apontam que, embora Trump acuse Maduro de liderar o suposto “Cartel de los Soles” – uma rede de corrupção, segundo analistas –, dados da ONU e da DEA indicam que a Venezuela atua mais como ponto de trânsito secundário para cocaína, com o México como principal origem de fentanil e outras drogas para o mercado americano.

















