Rumores intensos circulam desde ontem (04/12) nos corredores de Washington de que o governo de Donald Trump planeja suspender a aplicação da Lei Magnitsky contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e sua esposa, Viviane Barci de Moraes.
Caso se confirme, a medida poderia estender-se à devolução dos vistos de entrada nos Estados Unidos a outros ministros do STF e autoridades do governo do petista Lula da Silva.
A notícia, se oficializada, representaria um revés significativo para a oposição brasileira, impactando especialmente figuras como Eduardo Bolsonaro e o influenciador Paulo Figueiredo.
A decisão, descrita por fontes como “radical”, estaria atrelada a uma delicada intermediação conduzida pelo empresário Joesley Batista, coproprietário da gigante de carnes JBS, com o objetivo de obter a renúncia do presidente venezuelano Nicolás Maduro.
Como reportado anteriormente por esta redação, a Bloomberg revelou que esse seria o propósito central da viagem de Batista a Caracas na semana passada – um deslocamento ocorrido em meio a alertas das autoridades americanas sobre riscos de segurança para voos civis no espaço aéreo venezuelano.
De acordo com a agência americana, a visita de Batista foi comunicada à Casa Branca. Trata-se de uma extensão do diálogo iniciado por Joesley em agosto, quando o empresário se reuniu com o presidente americano no Salão Oval da Casa Branca, posou para selfies e presenteou-o com um exemplar da biografia de seu pai, José Batista Sobrinho.
Desde então, Trump tem feito elogios públicos a Lula, com quem se reuniu na Malásia em outubro e manteve pelo menos duas ou três conversas telefônicas.
Paralelamente, o chanceler brasileiro Mauro Vieira instituiu uma norma que assegura sigilo perpétuo em comunicações diplomáticas, vedando qualquer vazamento de informações.
Analistas não descartam que, nesse contexto, haja uma negociação velada em torno da renúncia de Maduro, em troca da suspensão de sanções contra autoridades brasileiras.
Até o momento, os Estados Unidos não adotaram medidas concretas contra o descumprimento da Lei Magnitsky por parte de grandes bancos brasileiros.
Nota-se que Trump tem adotado uma postura vacilante em relação ao tarifaço sobre importações e à política agrícola, o que pode ter criado uma brecha para que a JBS ofereça investimentos bilionários, geração de empregos e até promessas de redução nos preços da carne em momento oportuno.
Tanto Trump quanto Joesley são bilionários com trajetórias semelhantes, que enxergam a política pela ótica dos negócios.
Essa ‘química’ se estende a uma visão crítica da pauta ESG e a um pragmatismo exacerbado em temas como democracia e liberdade de expressão. Derrubar Maduro deve ser o suficiente, neste momento, para saciar o desejo de seus apoiadores mais ideológicos.
No entanto, com as eleições de meio de mandato se aproximando nos EUA, a prioridade da Casa Branca é proporcionar alívio econômico aos eleitores americanos. Afinal, comer ainda é mais importante do que falar.


















