PL demonstra que o desfile extrapolou os limites da manifestação cultural
O Partido Liberal (PL) protocolou na quinta-feira (19) um pedido de produção antecipada de provas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra o petista Lula da Silva. A legenda acusa o chefe do Executivo de abuso de poder político e econômico no desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, na Marquês de Sapucaí, durante o Carnaval deste ano.
O enredo da agremiação, intitulado “Do alto do Mulungu surge a esperança – Lula, o operário do Brasil”, homenageou a trajetória de Lula com elementos explícitos de campanha: jingle “Olê, olê, olê, olá, Lula, Lula”, destaque ao número 13, estrela vermelha do PT e alas promovendo propostas do governo, como o fim da escala 6×1 e a taxação de super-ricos, bancos e casas de apostas.
A apresentação incluiu críticas a opositores, com alegorias como um palhaço de faixa presidencial fazendo gesto de arma diante de cruzes (alusivas às mortes por Covid-19) e uma ala chamada “neoconservadores em conserva”, que retratava família tradicional, fazendeiros e pastores evangélicos – descrita pelo PL como “crítica grosseira” e “limítrofe à intolerância religiosa”.
O PL demonstra que o desfile extrapolou os limites da manifestação cultural e se converteu em “peça de marketing político-biográfico”, com exaltação do presidente, ataque a adversários e “desconstrução da imagem” de opositores, especialmente do presidente Jair Bolsonaro (PL). Lula e a primeira-dama Janja participaram ativamente: o presidente assistiu do camarote da Prefeitura do Rio (com dois andares reservados para convidados do casal) e depois desceu à avenida.
A legenda aponta “fundados indícios” de abuso de poder político e econômico capaz de afetar a “normalidade e legitimidade” da disputa presidencial de 2026, em um cenário “inédito” na política brasileira. Entre os indícios citados: repasse de R$ 4 milhões da Prefeitura de Niterói (dobro do ano anterior), aporte de R$ 1 milhão via convênio Embratur-Liesa (questionado pelo TCU), suposta captação de doações por Janja junto a empresários próximos ao governo, e ingerência direta do Palácio do Planalto na concepção artística e na lista de convidados.
A petição, assinada pela ex-ministra do TSE Maria Claudia Bucchianeri e dirigida ao corregedor-geral Antonio Carlos Ferreira, não pede punição imediata. Solicita produção antecipada de provas para embasar futura Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE), com base no artigo 22 da LC 64/1990.
Entre os pedidos: acesso a gastos públicos no Carnaval carioca de 2023 a 2026, lista de convidados do camarote da prefeitura e dados de audiência/transmissão para medir alcance eleitoral. O objetivo é “garantir a paridade de armas” entre candidatos.
O caso ganha força em ano pré-eleitoral, com Lula pré-candidato à reeleição. Outros partidos, como o Missão (ligado ao MBL), já acionaram o TSE por propaganda eleitoral antecipada. Antes do carnaval, o TSE rejeitou liminares para suspender o desfile, mas manteve o processo aberto para análise posterior de eventuais irregularidades.
O PL classifica a homenagem como “ato político-eleitoral” bancado majoritariamente com recursos públicos, com “engenharia financeira opaca” e “quebra de padrão administrativo”. A medida busca preservar documentos e informações para eventual pedido de cassação e inelegibilidade no futuro.


















