Novo Ministro da Justiça toma posse e gera polêmica ao afirmar que caso Master foi eixo de reunião com Lula; Secom contradiz e ministro recua
BNo mesmo dia em que assumiu oficialmente o cargo de Ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva se viu no centro de uma divergência de versões sobre o conteúdo de uma reunião convocada pelo petista Lula da Silva.
O encontro, realizado na quinta-feira (15/1), reuniu altas autoridades para discutir estratégias de combate ao crime organizado, mas gerou controvérsia após declarações do novo ministro sobre o suposto foco no Caso Banco Master.
A posse de Wellington César Lima e Silva ocorreu em cerimônia reservada no Palácio do Planalto, com a presença do presidente Lula e do antecessor Ricardo Lewandowski.
O novo titular da pasta, que já ocupou o cargo interinamente em 2016 durante o governo Dilma Rousseff, destacou em seu primeiro pronunciamento a prioridade de elevar o combate ao crime organizado a uma “ação de Estado”, com coordenação entre diversos órgãos federais.
A polêmica surgiu logo após a reunião ministerial, quando Lima e Silva afirmou a jornalistas que “O tema (caso Master) foi tratado como eixo”.
A declaração sugeria que o Caso Banco Master — que envolve investigações sobre irregularidades financeiras e possíveis vazamentos de dados fiscais de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) — teria sido o tema central do encontro, que contou com a participação do ministro Alexandre de Moraes (STF), do vice-presidente Geraldo Alckmin, do diretor da Polícia Federal Andrei Rodrigues, do procurador-geral Paulo Gonet, entre outras autoridades.
A Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom) rapidamente rebateu a afirmação, esclarecendo que o ministro se referia ao combate ao crime organizado como eixo da discussão e que o Caso Master não foi abordado de forma específica.
Diante da contradição, Lima e Silva recuou em novas declarações aos jornalistas, ajustando sua versão:
“Provavelmente o Banco Master deve ter sido citado por alguns participantes em algum momento.”
“Obviamente que todos os casos, bets, fintech, indústria de bebida, que possam se adequar a isso em algum momento pode ter sido aludido, toda reunião se discutiu como nós iríamos envolver os órgãos de Estado para participar. Todos os integrantes falaram, cada um fez a sua abordagem e o único ponto em comum era aumentar a efetividade do combate ao crime organizado.”
“Não houve nenhum comentário específico sobre nenhum dos casos (incluindo Banco Master). Todo o debate foi de alto nível, pensando em medidas estruturantes e de como organizar. É claro que você pode citar como ilustração todos esses casos que eu falei e tantos outros que podem até me ocorrer aqui agora, mas não houve nenhum tratamento especial de nenhum caso.”
Segundo participantes do encontro, qualquer menção ao Banco Master teria sido incidental, servindo apenas como exemplo ilustrativo em meio a temas mais amplos como apostas online (bets), fintechs, adulteração de combustíveis e combate à lavagem de dinheiro.
Lula teria convocado a reunião para coordenar ações integradas contra o crime organizado, especialmente após a abertura de inquérito por Moraes para apurar supostos vazamentos de dados sigilosos de ministros do STF e familiares.
O episódio destaca tensões institucionais entre Executivo, Judiciário e órgãos fiscais, em um contexto de investigações sensíveis que envolvem acesso irregular a informações da Receita Federal e do Coaf.
A divergência reforça debates sobre transparência, coordenação entre poderes e o tratamento de casos de grande repercussão, como o Caso Master, que continua a mobilizar a opinião pública e a imprensa.
A gestão de Wellington César Lima e Silva inicia com o desafio de fortalecer a segurança pública, destravar a PEC da Segurança no Congresso e manter o alinhamento com as prioridades do governo Lula, enquanto lida com as expectativas de resultados rápidos no combate ao crime organizado.


















