Cunhado de dono do Banco Master controlava fundos que adquiriram participação de irmãos de Toffoli em Resort no Paraná
O pastor evangélico e empresário Fabiano Campos Zettel, cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro (dono do Banco Master), aparece como o único cotista de fundos de investimento que compraram uma fatia societária pertencente aos irmãos do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, no resort Tayayá, localizado no interior do Paraná.
A transação, realizada por meio de estruturas geridas pela Reag Investimentos, envolveu uma participação avaliada em R$ 6,6 milhões à época.
Documentos financeiros obtidos pelo jornal O Estado de S.Paulo revelam que Zettel foi o exclusivo cotista do fundo Leal entre 2021 e 2025. Esse fundo, por sua vez, detinha 100% das cotas do fundo Arleen, utilizado para estruturar o aporte total de R$ 20 milhões no empreendimento.
Com a operação, o Arleen adquiriu metade da participação societária nas empresas Tayayá Administração e Participações e DGEP Empreendimentos — controladas pelo primo do ministro, Mario Umberto Degani, e que tinham como sócia a Maridt S.A., dirigida pelos irmãos de Toffoli.
A sociedade entre os fundos e os familiares do ministro durou até 2025, quando as cotas foram vendidas ao advogado Paulo Humberto Barbosa, atual proprietário do resort.
O ministro Dias Toffoli não possui participação direta no Tayayá, mas costuma frequentar o local, segundo fontes.
Ao Estadão, Fabiano Zettel confirmou ter sido cotista dos fundos, informou que deixou o investimento em 2022 e afirmou que o fundo foi liquidado em 2025. Os irmãos do ministro e o próprio Toffoli não se manifestaram sobre o assunto até o momento.
A revelação ganha relevância no contexto da Operação Compliance Zero, que investiga supostas fraudes financeiras no Banco Master e tem Dias Toffoli como relator no STF.
Zettel foi alvo da segunda fase da operação, deflagrada em 14 de janeiro, quando sofreu prisão temporária (posteriormente revogada), buscas e apreensões.
A PF apura possíveis vínculos entre a instituição financeira, fundos da Reag e irregularidades, incluindo lavagem de dinheiro.
O caso reforça questionamentos sobre potenciais conflitos de interesses e relações indiretas no âmbito do Caso Banco Master, intensificando debates sobre transparência no sistema financeiro, governança de fundos de investimento e imparcialidade judicial.


















