Toffoli atende pedido da PF e prorroga por 60 dias inquérito sobre fraudes no Banco Master
O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), deferiu nesta sexta-feira (16) o requerimento da Polícia Federal (PF) e estendeu por mais 60 dias as investigações no inquérito que apura supostas irregularidades e fraudes envolvendo o Banco Master.
A decisão, tomada em sigilo, permite que a corporação avance na análise de provas apreendidas recentemente e na coleta de depoimentos de investigados.
O inquérito, sob relatoria de Toffoli desde o final de 2025 (após transferência da Justiça Federal para o STF), investiga operações suspeitas, incluindo a tentativa de venda do Banco Master ao Banco de Brasília (BRB) — negócio barrado pelo Banco Central devido a irregularidades nos documentos apresentados.
Apurações apontam para possível emissão de Certificados de Depósito Bancário (CDBs) sem lastro, com desvios estimados em até R$ 12 bilhões.
Na decisão, Toffoli justificou a prorrogação com base na manifestação da autoridade policial. Preservando as palavras exatas do despacho, o ministro escreveu:
“Trata-se de manifestação da autoridade policial, requerendo nova prorrogação do prazo para conclusão das investigações por mais 60 (sessenta) dias. Posto isso, considero que as razões apontadas para prorrogação, por mais 60 (sessenta) dias, devem ser deferidas.”
A extensão ocorre logo após a segunda fase da Operação Compliance Zero (deflagrada em 14 de janeiro), que cumpriu 42 mandados de busca e apreensão em cinco estados, resultando na coleta de 39 celulares, 31 computadores, 30 armas, R$ 645 mil em espécie, 23 veículos de luxo (avaliados em R$ 16 milhões) e documentos relevantes.
Toffoli também determinou que a Procuradoria-Geral da República (PGR) assuma a custódia e análise do material, com dispositivos mantidos carregados e desconectados de redes.
Em paralelo, o ministro reduziu o prazo para oitivas de investigados (de seis para dois dias consecutivos) e designou quatro peritos da PF — escolhidos diretamente por ele, sem consulta à cúpula da corporação — para acompanhar a perícia, gerando atrito institucional com a PF.
O caso ganha destaque em meio a questionamentos sobre conflito de interesses, com parlamentares (como a senadora Damares Alves) defendendo afastamento de Toffoli ou CPI, devido a supostas ligações indiretas entre familiares do ministro e o cunhado do dono do banco, Daniel Vorcaro (alvo da operação).
O inquérito segue em sigilo, com intimação à PGR para manifestação sobre o andamento.
A prorrogação estende as apurações pelo menos até março, quando o ministro poderá reavaliar novas solicitações.


















