Pentágono coloca 1.500 soldados em alerta para possível envio a Minnesota após ameaça de Trump
O Departamento de Defesa dos Estados Unidos ordenou que cerca de 1.500 soldados da ativa se preparem para um possível deslocamento ao estado de Minnesota, em meio à escalada de protestos contra operações federais de imigração.
A medida, confirmada por autoridades de defesa ao Washington Post e outras veículos, surge após o presidente Donald Trump ameaçar invocar a Lei da Insurreição para conter confrontos entre manifestantes e agentes do ICE (Immigration and Customs Enforcement).
Os militares em prontidão pertencem a dois batalhões de infantaria da 11ª Divisão Aerotransportada do Exército, sediada no Alasca e especializada em operações em clima frio – condição que pode ser útil no inverno rigoroso do Meio-Oeste americano.
A ordem é considerada um “planejamento prudente” caso a violência aumente, mas não implica envio imediato ou inevitável das tropas.
O gatilho para a tensão foi a morte de Renee Nicole Good, uma cidadã americana de 37 anos, baleada por agentes do ICE durante uma abordagem em Minneapolis.
No incidente, outro migrante venezuelano ficou ferido. Desde dezembro, uma grande operação do Departamento de Segurança Interna resultou na prisão de centenas de pessoas e em confrontos frequentes com manifestantes, que acusam o governo federal de excessos.
Trump intensificou a retórica em postagem na Truth Social: “Se os políticos corruptos de Minnesota não obedecerem à lei e impedirem que agitadores profissionais e insurgentes ataquem os Patriotas do ICE, que estão apenas tentando fazer seu trabalho, instituirei a Lei de Insurreição”.
Ele acrescentou que não via necessidade imediata de usar o instrumento, mas reforçou que poderia fazê-lo se julgasse necessário.
A Lei da Insurreição, de 1807, permite ao presidente empregar Forças Armadas em território nacional para reprimir desordens civis – usada pela última vez em 1992 por George H.W. Bush nos tumultos de Los Angeles. Qualquer invocação seria polêmica, especialmente após decisões da Suprema Corte questionando o uso de tropas federais em ações policiais, por possível violação da Lei Posse Comitatus.
Do lado estadual, o governador Tim Walz (democrata) mobilizou a Guarda Nacional de Minnesota para apoiar as forças locais de segurança e proteger o direito de manifestações pacíficas, sem enviá-las às ruas até o momento.
O prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, criticou a presença federal como uma “força ocupante” e alertou que um envio de tropas ativas agravaria as tensões. O procurador-geral Keith Ellison classificou a operação do ICE como uma “invasão federal” e anunciou ações judiciais contra o governo Trump
Os protestos continuam diários em Minneapolis e Saint Paul, com milhares nas ruas apesar do frio intenso. Autoridades locais pedem calma, enquanto o governo federal mantém mais de 3.000 agentes de imigração e patrulha na região.
A Casa Branca defendeu a preparação do Pentágono como “procedimento padrão” para qualquer decisão presidencial.
Analistas veem nessa mobilização um sinal de endurecimento na política de imigração de Trump em seu segundo mandato, podendo testar limites constitucionais e reacender debates sobre federalismo e direitos civis.
Até o momento, não há indícios de escalada para violência generalizada, mas a situação permanece volátil
O desdobramento dependerá das próximas horas: se os protestos se acalmarem, o alerta pode ser suspenso; caso contrário, Minnesota pode se tornar o primeiro teste real da ameaça de intervenção militar federal em 2026


















