Detalhes do acordo sobre a Groenlândia entre EUA, OTAN e Dinamarca ainda são incertezas; Trump fala em acesso militar ilimitado e sem prazo
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, segue avançando nas negociações sobre a Groenlândia, território autônomo da Dinamarca, mas os contornos exatos do acordo em discussão permanecem pouco claros.
Após reunião com o secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, em Davos, Trump anunciou um “framework” para um futuro pacto que envolve segurança no Ártico, presença militar e possivelmente direitos sobre recursos minerais, mas evitou responder diretamente sobre aquisição total ou posse da ilha.
Questionado se o acordo incluiria a compra ou a soberania completa sobre toda a Groenlândia, Trump não confirmou nem negou, limitando-se a destacar aspectos estratégicos:
– O acordo não terá limite de tempo e que terão acesso militar ilimitado.
RELAÇÃO COM O CHIPRE:
De acordo com as informações que têm circulado, a solução prevista para a Groenlândia em relação aos Estados Unidos seria semelhante àquela adotada no Chipre pelo Reino Unido. Neste caso, o Reino Unido mantém a soberania sobre duas pequenas áreas — Akrotiri e Dhekelia — que funcionam como bases militares soberanas, enquanto o restante da ilha pertence ao Chipre independente.
Da mesma forma, a Groenlândia permaneceria sob soberania da Dinamarca, mas os EUA receberiam o controle soberano (ou seja, como território americano) sobre algumas porções limitadas da ilha, provavelmente destinadas a bases militares. Ainda não foram divulgados detalhes sobre a quantidade exata dessas áreas, nem sobre sua extensão territorial.
Além disso, não há informações confirmadas sobre qual seria a contrapartida oferecida pelos Estados Unidos nesse possível acordo — se envolveria compensações financeiras, acesso a recursos, garantias de segurança ou outros benefícios para a Dinamarca e a Groenlândia.
Fontes próximas às discussões indicam que o entendimento pode envolver a cessão de controle americano sobre algumas “pequenas áreas” na ilha, semelhante ao modelo adotado no Chipre, onde o Reino Unido mantém bases soberanas em território cipriota desde 1960. No entanto, não há confirmação oficial desse ponto por parte dos governos envolvidos.
A Dinamarca e a Groenlândia reiteram que a soberania do território não está em negociação. A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, afirmou que qualquer diálogo se restringirá a questões de segurança, investimentos e economia, sem abrir mão do controle soberano.
A OTAN, por sua vez, negou que soberania tenha sido tema na conversa entre Trump e Rutte, enfatizando que negociações futuras ocorrerão diretamente entre EUA, Dinamarca e Groenlândia.
O acordo em gestação surge após Trump ameaçar tarifas a países europeus contrários à ideia de controle americano sobre a Groenlândia, medida que foi suspensa após o encontro em Davos.
O foco declarado inclui atualização do acordo de defesa de 1951 (que já permite bases militares dos EUA), fortalecimento da presença da OTAN no Ártico contra influências russas e chinesas, e possivelmente a instalação de componentes do sistema antimísseis “Golden Dome”.
Apesar do otimismo de Trump, que descreve o pacto como “infinito” e benéfico para a segurança nacional, especialistas apontam que qualquer transferência territorial, mesmo limitada, seria sensível e poderia gerar controvérsias diplomáticas.
As negociações continuam em fase preliminar, sem data definida para conclusão, e com forte resistência de Copenhague e Nuuk a qualquer perda de soberania


















