Contrato com Banco Master acelerou demissão de Ricardo Lewandowski do Ministério da Justiça
A existência de um contrato entre o escritório de advocacia da família do ex-ministro Ricardo Lewandowski e o Banco Master foi um dos fatores que apressaram o pedido de demissão dele do Ministério da Justiça e Segurança Pública.
Lewandowski deixou o cargo no dia 10 de janeiro de 2026, após pouco mais de dois anos no governo Lula (PT).
De acordo com apuração exclusiva do analista político Matheus Teixeira, publicada no blog da CNN Brasil, o escritório Lewandowski Advocacia – gerido por sua esposa, Yara, e seu filho, Enrique – manteve a prestação de serviços de consultoria jurídica ao Banco Master mesmo após a posse de Lewandowski como ministro, em janeiro de 2024.

O contrato, assinado em agosto de 2023, previa pagamentos mensais de R$ 250 mil e continuou ativo por cerca de 21 meses durante o período em que ele comandava a pasta.
Integrantes do governo federal apontam que a revelação desse vínculo contratual gerou desconforto interno e contribuiu para acelerar a saída do ex-ministro. Auxiliares do petista Lula negaram ter tido conhecimento prévio do acordo, conforme reportagens complementares da própria CNN.
O caso ganhou repercussão em meio a outras investigações envolvendo o Banco Master, como tentativas de aquisição pelo BRB e possíveis irregularidades financeiras.
Lewandowski confirmou, em nota divulgada após a divulgação das informações, que prestou serviços de consultoria ao banco, mas não detalhou o período exato da relação contratual. O escritório da família seguiu com os trabalhos independentemente da saída dele da sociedade advocatícia, formalizada logo após sua nomeação para o MJSP.
O episódio ocorre em um contexto de escrutínio sobre conflitos de interesse e transparência na administração pública, especialmente considerando o papel do Ministério da Justiça na regulação e fiscalização de instituições financeiras.
O Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro, tem sido alvo de reportagens recentes por questões relacionadas a fraudes e riscos sistêmicos no setor bancário.
O Planalto tenta minimizar o episódio, enquanto fontes internas destacam que o contrato foi um elemento decisivo na decisão de Lewandowski de deixar o cargo


















