Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, registrou pelo menos quatro acessos ao Palácio do Planalto entre 2023 e 2024
O empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, esteve no Palácio do Planalto ao menos quatro vezes durante os anos de 2023 e 2024, conforme registros oficiais do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) obtidos via Lei de Acesso à Informação (LAI).
As entradas documentadas ocorreram em 4 de dezembro de 2023, 1º de março de 2024 e 3 de abril de 2024, totalizando três visitas registradas na portaria.
Em dezembro de 2023, Vorcaro entrou no mesmo horário que o empresário Lucas Kallas, seu então sócio na Biomm (biofarmacêutica onde o Banco Master, via Fundo Cartago, era principal acionista). Não há registros de entradas em 2025 ou 2026.
Além dessas visitas oficiais, Vorcaro participou de uma reunião reservada com o petista Lula da Silva em 4 de dezembro de 2024, fora da agenda pública do Planalto.
O encontro, articulado pelo ex-ministro da Fazenda Guido Mantega (então consultor do banco), contou com a presença de ministros como Rui Costa (Casa Civil), Alexandre Silveira (Minas e Energia), Gabriel Galípolo (então indicado à presidência do Banco Central) e Augusto Lima (ex-CEO do Master).
Durante a conversa, Vorcaro expôs dificuldades financeiras da instituição e questionou se deveria vender o banco – que teria recebido oferta simbólica do BTG Pactual – ou fortalecê-lo para combater a concentração no sistema financeiro brasileiro.
O petista teria aconselhado a não vender e criticado o ex-presidente do BC Roberto Campos Neto e o banqueiro André Esteves.
Os registros de portaria não detalham os objetivos das visitas anteriores nem os interlocutores, e o governo não divulga informações adicionais. A ausência de registro da reunião de dezembro de 2024 reforça questionamentos sobre transparência na agenda presidencial.
O tema ganha relevância em meio ao escândalo do Banco Master, liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central em 2025 após acusações de gestão fraudulenta, manipulação de mercado, lavagem de dinheiro e prejuízos estimados em dezenas de bilhões via Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
Vorcaro foi citado em depoimentos à Polícia Federal e investigações que envolvem políticos do centrão e do PT, como o governador do DF Ibaneis Rocha (MDB).
Recentemente, o próprio petista Lula, tentando se distanciar, afirmou em evento em Maceió que “tem gente que defende porque também está cheio de gente a quem falta um pouco de vergonha na cara” e acusando o banco de “golpe de mais de R$ 40 bilhões”.


















