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Controlador do Grupo Alliança enfrenta críticas por atrasos no pagamento de médicos

Alvo da PF, Nelson Tanure, atrasa pagamentos de médicos e propõe ações com desconto a funcionários em meio a crise no Grupo Alliança

O empresário Nelson Tanure, controlador do grupo Alliança Saúde e Participações desde 2022, enfrenta críticas por atrasos no pagamento de salários a médicos que atuam em laboratórios da rede, como Cura, CDB e Delfim.

Os problemas começaram em dezembro de 2025 e se estenderam a janeiro deste ano, coincidindo com o escrutínio da Polícia Federal (PF) sobre Tanure na Operação Compliance Zero, que investiga supostas irregularidades financeiras ligadas ao Banco Master.

Relatos indicam que cerca de 10 colaboradores do laboratório Cura tiveram vencimentos atrasados no fim de 2025, enquanto em janeiro os pagamentos do CDB (previsto para 20/1) e do Delfim (previsto para 8/1) foram quitados com atrasos de 10 e 12 dias, respectivamente.

A empresa atribui os atrasos a um “ajuste pontual nos calendários de pagamento” para padronizar datas entre as companhias do grupo, negando inadimplência ou descumprimento contratual.

Em nota oficial, a Alliança Saúde declarou: “O processo foi comunicado aos prestadores e não caracteriza inadimplência nem descumprimento contratual.”

Paralelamente, o grupo prorrogou em 15 de janeiro o prazo para aumento de capital de R$ 797 milhões, emitindo novas ações oferecidas a funcionários — inclusive àqueles impactados pelos atrasos. O valor por ação foi fixado em R$ 5,60, com incentivo de desconto de 13% (R$ 4,88 por ação) para compras futuras. Há também a possibilidade facultativa de conversão de créditos em ações, sem obrigatoriedade.

A companhia reforçou que a operação é regular e divulgada ao mercado: “Em relação ao aumento de capital, trata-se de operação regularmente divulgada ao mercado, que prevê, de forma facultativa e nos termos legais, a possibilidade de conversão de créditos em ações.

Essa alternativa é opcional e não substitui obrigações de pagamento nem guarda relação com ajustes operacionais de calendário. A companhia segue operando normalmente e permanece à disposição para esclarecimentos.”

Tanure, conhecido no mercado como “devorador de empresas” por sua atuação em companhias em recuperação judicial ou crise, foi alvo da segunda fase da Operação Compliance Zero em 14 de janeiro de 2026.

A ação cumpriu mandados de busca e apreensão, incluindo o celular do empresário, no âmbito das investigações sobre fundos e operações financeiras suspeitas associadas ao Banco Master — controlado por Daniel Vorcaro.

A defesa de Tanure nega qualquer vínculo societário com o Master, afirmando tratar-se apenas de relação comercial de cliente, e destaca sua longa experiência no mercado de valores mobiliários sem antecedentes criminais.

A combinação de atrasos salariais e oferta de ações tem gerado questionamentos sobre a saúde financeira do grupo Alliança e estratégias de captação de recursos em um momento de pressão investigativa.

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