Oposição no DF solicita investigação e impeachment de Ibaneis Rocha por envolvimento em negócios entre BRB e Banco Master
O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), enfrenta graves questionamentos políticos após a apresentação de dois pedidos de impeachment na Câmara Legislativa do DF. As denúncias surgem em meio às controvérsias envolvendo as tentativas de aquisição do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB), instituição controlada pelo governo local.
Os opositores alegam que o chefe do Executivo cometeu infrações administrativas durante o processo, o que poderia configurar crimes de responsabilidade.
Os documentos protocolados destacam supostas irregularidades nas transações financeiras entre o BRB e o Banco Master, incluindo injeções de recursos bilionários e negociações sem devida autorização legislativa.
O BRB, onde o governo do DF detém 71,92% do capital, investiu R$ 16,7 bilhões na instituição privada entre 2024 e 2025, segundo relatórios do Ministério Público, que aponta indícios de “gestão fraudulenta”.
Quem Está por Trás das Denúncias de Impeachment?
O primeiro pedido de impeachment foi assinado por representantes do PSB-DF, incluindo Rodrigo Dias, Rodrigo Rollemberg, Ricardo Capelli e Leonardo Pinheiro, além do presidente do Cidadania-DF, Cristovam Buarque, e os advogados Rodrigo Pedreira e Lynecker Juliano.
Já o segundo documento veio de membros do PSOL-DF, como a presidente regional Giulia Tadini e os deputados distritais Fábio Félix e Max Maciel.
Esses grupos de oposição argumentam que Ibaneis Rocha falhou em supervisionar adequadamente as operações do BRB, expondo o patrimônio público a riscos desnecessários. O governador admitiu ter se reunido pelo menos quatro vezes com Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, entre 2024 e 2025, mas negou ter discutido a venda da instituição nesses encontros.
Contexto das Negociações BRB e Banco Master
Ao longo de 2025, o BRB buscou adquirir grande parte do Banco Master, com apoio explícito de Ibaneis Rocha e do governo do DF. No entanto, a operação foi bloqueada pelo Banco Central, que decretou a liquidação extrajudicial do Master devido a suspeitas de fraudes em vendas de carteiras de crédito no valor de R$ 12,2 bilhões.
O Ministério Público identificou possíveis irregularidades nessas transferências, o que intensificou as críticas ao governador. Ibaneis Rocha, em declarações à TV Globo, defendeu as ações, mas as oposições veem nisso uma violação ao dever de zelar pelo erário público.
Acusações Detalhadas nos Pedidos de Impeachment
No pedido apresentado pelo PSB, Cidadania e advogados, são listados sete crimes de responsabilidade atribuídos a Ibaneis Rocha:
- Omissão intencional em responsabilizar subordinados: Os signatários afirmam que dirigentes do BRB violaram a Constituição Federal e a Lei Orgânica do DF, sem que o governador tomasse medidas para apurar ou punir as condutas. Além disso, ele manteve “apoio político ostensivo à operação”.
- Emissão de atos contrários à Constituição: Embora não tenha assinado pessoalmente o contrato, a negociação foi “politicamente estimulada e institucionalmente respaldada” pelo Governo do DF, incluindo o envio de proposta à Câmara Legislativa para validar uma operação já considerada irregular pelo Judiciário.
- Conduta incompatível com o cargo: O governador teria politizado a decisão do Banco Central, atribuindo o veto a interferências partidárias, e defendeu uma “operação financeira de altíssimo risco” mesmo após a prisão de Vorcaro.
- Ordenação de despesas sem autorização legal: A aquisição do Master iniciou antes da aprovação da Câmara Legislativa.
- Operações de crédito sem aval legislativo: Aquisições de carteiras de crédito ocorreram sem permissão da Casa.
- Compromissos financeiros sem formalidades: A estratégia do BRB, apoiada pelo governo, gerou obrigações bilionárias sem transparência ou estudos técnicos adequados.
- Negligência na preservação do patrimônio público: Ibaneis “violou o dever de guarda e conservação do patrimônio público distrital, assumindo risco consciente de dano relevante ao erário”.
Já no pedido do PSOL, as acusações focam em:
- Ataque à probidade administrativa e ao uso de recursos públicos: Como acionista controlador indireto do BRB, Ibaneis impulsionou uma operação de alto risco. Mesmo após o veto do Banco Central, declarou que “a operação evitaria risco ao sistema financeiro por possível descapitalização do Master, somada ao aceno posterior de que o DF teria mais de R$ 200 bilhões em patrimônio imobiliário”.
- Descaso com o patrimônio: “Na condição de Chefe do Poder Executivo e controlador indireto do BRB, tinha o dever institucional de zelar pela conservação do patrimônio público e de impedir a exposição temerária do principal ativo financeiro do Distrito Federal a riscos incompatíveis com a prudência e a boa administração”.
Pedidos de Investigação no Ministério Público Federal
Além dos impeachments, Ibaneis Rocha é alvo de duas representações no MPF. A primeira, protocolada pelo deputado Fábio Félix (PSOL) em 23 de janeiro, pede investigação por irregularidades na tentativa de compra, incluindo bloqueio de bens, coleta de provas pela Polícia Federal e acesso a relatórios do BRB.
A segunda, enviada por PT, Rede, PDT, PCdoB e PV em 26 de janeiro, solicita inquérito para apurar crimes e improbidade administrativa, com afastamento temporário do governador para evitar interferências.
Como Avança o Processo de Impeachment na Câmara Legislativa?
Os pedidos ainda dependem da aceitação do presidente da Câmara, Wellington Luiz (MDB), aliado de Ibaneis. Ele afirmou que “só vai se manifestar sobre os pedidos após o fim do recesso legislativo, nesta segunda-feira (2)”.
Se aceitos, o processo inclui leitura em plenário, formação de comissão especial, análise de defesa, discussões e votação final, exigindo aprovação por dois terços dos deputados distritais.


















