Juiz Auxiliar de Toffoli orienta delegada da PF a seguir script de perguntas preparadas pelo ministro em depoimento de Daniel Vorcaro
Um episódio polêmico durante o interrogatório de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, expôs tensões entre o Supremo Tribunal Federal (STF) e a Polícia Federal (PF) no âmbito da investigação sobre fraudes financeiras e operações suspeitas envolvendo o banco em liquidação. O depoimento, realizado em 30 de dezembro de 2025 no STF, envolveu a delegada Janaína Palazzo, designada para conduzir a oitiva, e o juiz auxiliar Carlos Vieira Adamek, braço direito do ministro Dias Toffoli, relator do inquérito.
De acordo com relatos de participantes e trechos divulgados em redes sociais e veículos de imprensa, o juiz auxiliar entregou à delegada uma lista de perguntas previamente elaboradas pelo ministro Toffoli — totalizando 81 questionamentos em algumas reportagens — para serem direcionadas ao banqueiro.
A delegada, responsável pela investigação, seguiu o roteiro, mas registrou o fato de forma explícita durante a sessão, gerando constrangimento e críticas sobre possível interferência judicial em atos típicos da polícia judiciária.
Em gravação reproduzida em perfis e postagens, a delegada Janaína Palazzo afirmou ao juiz auxiliar: “O senhor me entregou ontem e hoje às perguntas que o ministro gostaria que fossem realizadas, eu segui aqui o script (…) quer que refaça?”
A fala, dita em tom de confirmação e questionamento, destacou que as indagações não eram de autoria da PF, mas sim oriundas do gabinete de Toffoli.
O juiz auxiliar teria insistido na repetição ou ajuste das perguntas quando respostas de Vorcaro pareciam desviar do esperado, conforme relatos de fontes jurídicas e postagens em redes como X (antigo Twitter) e Instagram.
O caso faz parte da apuração de fraudes bilionárias envolvendo a venda de carteiras de crédito tóxicas do Banco Master ao Banco de Brasília (BRB), que quase gerou prejuízo de R$ 12 bilhões, além de outras operações sob escrutínio da PF, como remessas cambiais e uso de criptoativos. Toffoli determinou a realização das oitivas no STF, incluindo acareações posteriores entre Vorcaro, o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa e o diretor de Fiscalização do Banco Central Ailton de Aquino.
Juristas e críticos apontam extrapolação de funções, argumentando que o Judiciário não deveria ditar roteiros de interrogatórios policiais.


















