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Encontro entre Rússia e Brasil destacou negociações sobre fertilizantes

Rússia pressiona Brasil para não perder mercado de fertilizantes para a China em reunião bilateral

Em meio a uma disputa geopolítica crescente, a Rússia exerceu pressão sobre o Brasil durante a 8ª Reunião da Comissão de Alto Nível de Cooperação Brasil-Rússia (CAN), realizada em Brasília nesta quinta-feira (5 de fevereiro de 2026), para evitar a perda de participação no mercado brasileiro de fertilizantes para a China.

O encontro, que contou com a presença do vice-presidente Geraldo Alckmin e do primeiro-ministro russo Mikhail Mishustin, destacou negociações sobre fertilizantes lideradas pelo ministro russo Oksana Nikolaevna Lut e o ministro brasileiro da Agricultura, Carlos Fávaro.

Dados do Ministério do Desenvolvimento, Comércio, Indústria e Serviços mostram a mudança no cenário: em 2024, o Brasil importou 44,3 milhões de toneladas de fertilizantes por US$ 13,5 bilhões, com a Rússia respondendo por 27,3% e a China por 14,2%. Em 2025, o volume subiu para 45,5 milhões de toneladas (US$ 15,5 bilhões), mas a fatia russa caiu para 25,9%, enquanto a chinesa avançou para 18,8%.

Fatores como a guerra na Ucrânia, conflitos no Oriente Médio, instabilidade logística e altos custos de frete reconfiguraram as cadeias globais, favorecendo a China por sua capacidade de produção escalável e logística flexível.

A Rússia, que financia parte de sua guerra na Ucrânia com exportações de fertilizantes (raramente sancionados devido à relevância para a produção alimentar global), vê o Brasil como mercado estratégico. Especialistas apontam que a dependência brasileira de insumos russos tem influenciado decisões diplomáticas em governos Lula e Bolsonaro, evitando rupturas no fornecimento.

Enquanto isso, a China ganha influência sobre nações agrícolas exportadoras como o Brasil.

O Brasil, que importa mais de 80% dos fertilizantes usados no agronegócio, busca diversificação, mas o país permanece no centro de uma disputa maior envolvendo EUA, Rússia e China – com Washington sinalizando na Estratégia de Segurança Nacional de 2025 que não aceitará influência de outras potências na América Latina.

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