Italiano Vincenzo Pasquino detalha em delação parceria entre o Primeiro Comando da Capital e a máfia calabresa no tráfico internacional; depoimentos foram considerados confiáveis pela Justiça italiana
O mafioso italiano Vincenzo Pasquino, preso na Penitenciária Federal de Brasília, revelou em delação premiada que o Primeiro Comando da Capital (PCC) bancava metade dos custos de cada carregamento de cocaína enviado da América do Sul para a Europa em parceria com a máfia italiana ’Ndrangheta.

Pasquino, um dos principais delatores da Operação Samba (deflagrada em 2024 no Brasil e na Itália), prestou depoimentos detalhados sobre a estrutura do consórcio criminoso. Suas declarações foram consideradas confiáveis pela Justiça italiana, o que resultou em uma pena mais branda: 10 anos de prisão.
Segundo o mafioso, o acordo entre o PCC e a ’Ndrangheta foi consolidado a partir de 2018. O PCC fornecia a droga e financiava 50% dos custos logísticos de cada remessa, enquanto a máfia calabresa cuidava da distribuição na Europa. Pasquino era o responsável por transportar o dinheiro da Europa para o Brasil.
O delator ainda contou que o PCC vendia a cocaína aos italianos por € 5 mil o quilo. Após despesas com logística e propinas, o custo subia para € 7,5 mil antes da revenda no mercado europeu, onde o preço mínimo da parte do PCC variava entre € 23 mil e € 25 mil por quilo.
A principal porta de entrada da droga na Europa era o porto de Gioia Tauro, na Calábria, reduto histórico da ’Ndrangheta. Pasquino também descreveu rotas a partir de portos brasileiros como Santos (SP) e Itajaí (SC), além de técnicas sofisticadas de ocultação, como o uso de mergulhadores para fixar a droga na quilha dos navios.
Ele admitiu ter organizado reuniões em São Paulo para selar a parceria e revelou que o PCC exigia negociar apenas com membros oficiais da ’Ndrangheta. Pasquino ainda mencionou contatos com o Comando Vermelho (CV), no Rio de Janeiro, mas sem formalização de acordo semelhante.
Suas delações serviram de base para a Operação Samba e continuam sendo usadas em investigações no Brasil, como a Operação Conexão Paraíba.
Fonte: Revista Oeste


















