Banco Master pagou milhões a escritório ligado a Lewandowski sem atuação em processos judiciais
O Banco Master, liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central em novembro de 2025, manteve um contrato milionário com o escritório de advocacia ligado ao ex-ministro da Justiça Ricardo Lewandowski, mesmo sem registro de atuação em ações judiciais envolvendo a instituição ou seu controlador, Daniel Vorcaro.

O acordo, assinado em 28 de agosto de 2023 e vigente até setembro de 2025, previa pagamentos mensais de R$ 250 mil por “consultoria jurídica”, totalizando cerca de R$ 5 milhões ao longo do período – valor que continuou sendo pago após Lewandowski assumir o cargo no Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) em fevereiro de 2024.
O escritório Lewandowski Advocacia, registrado em nome da esposa do ex-ministro, não aparece em nenhum processo judicial relacionado ao Master ou a Vorcaro, conforme verificado em tribunais superiores. Uma reunião registrada em maio de 2024 com integrantes da Advocacia-Geral da União (AGU) para discutir um processo no Superior Tribunal de Justiça (STJ) é o único indício de interlocução, mas sem conexão direta com o contrato.
A defesa do escritório e de Lewandowski afirma que os serviços foram prestados regularmente, sem conflito de interesse, e que o ex-ministro se afastou da banca ao assumir o cargo público.
O caso ganha relevância em meio às investigações sobre o Banco Master, que envolvem suspeitas de gestão fraudulenta, fraudes em consignados e rombos bilionários, com Vorcaro preso desde dezembro de 2025.
Críticos questionam se os pagamentos configuram influência ou consultoria sem contrapartida visível, alimentando debates sobre ética no Judiciário e na advocacia pública.


















