O governo russo oficializou o bloqueio integral do WhatsApp em todo o território nacional, ampliando restrições já existentes contra Facebook e Instagram, plataformas da Meta. A medida, confirmada pelo porta-voz do Kremlin Dmitry Peskov nesta quinta-feira (12), é justificada pela “resistência” das empresas em cumprir a legislação russa, que exige armazenamento local de dados de usuários e cooperação com autoridades em questões de segurança.
Peskov declarou:“Essa decisão de fato foi tomada e implementada [pela] relutância do WhatsApp em cumprir as normas e a letra da lei russa.”
O WhatsApp, por sua vez, acusou o governo de tentar forçar a migração de mais de 100 milhões de usuários russos para um aplicativo estatal de vigilância. A empresa afirmou que o bloqueio representa um retrocesso na segurança das comunicações privadas.
Motivação Oficial e Estratégia do Kremlin
As autoridades russas alegam que a Meta (dona do WhatsApp, Facebook e Instagram) viola leis de soberania digital, incluindo obrigações de retenção de dados e moderação de conteúdo. Desde 2022, quando a Meta foi classificada como “organização extremista”, Facebook e Instagram já estavam bloqueados e só acessíveis via VPN. O WhatsApp resistia como a principal ferramenta de mensagens no país, mas agora entra na lista de restrições.
O movimento coincide com a promoção agressiva do Max, aplicativo de mensagens estatal russo (comparado ao WeChat chinês), que integra funcionalidades de comunicação, serviços públicos e pagamentos. O Max é pré-instalado obrigatoriamente em smartphones e tablets vendidos na Rússia desde 2025, e o governo busca massificar seu uso para reforçar o controle sobre comunicações digitais e reduzir dependência de plataformas estrangeiras.
Impactos e Contexto Mais Amplo
O bloqueio ocorre em meio a uma escalada de controle sobre a internet russa, que já inclui restrições a Telegram (em algumas funções), YouTube, X (antigo Twitter) e outros serviços internacionais. Críticos veem a medida como tentativa de ampliar vigilância e limitar liberdade de expressão, especialmente após a invasão da Ucrânia em 2022.
Acessar as plataformas bloqueadas agora exige VPNs ou ferramentas semelhantes, o que pode ser criminalizado em casos específicos. O Roskomnadzor, regulador de internet russo, removeu as apps do diretório oficial, tornando o acesso direto praticamente impossível sem contornar as barreiras técnicas.


















