Avanço em delação premiada; Virgílio Oliveira Filho e André Fidelis, presos desde novembro, detalham propinas e descontos ilegais em aposentadorias; defesa de um deles nega acordo em andamento
Dois ex-integrantes da cúpula do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) estão em fase avançada de negociação para firmar delação premiada com a Polícia Federal. Segundo apuração da colunista Andreza Matais no Metrópoles, o ex-procurador Virgílio Oliveira Filho e o ex-diretor de Benefícios André Fidelis entregaram informações sobre o empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha (filho mais velho do petista Lula da Silva), e detalharam o suposto envolvimento de políticos do Centrão no esquema investigado.

Entre os políticos citados pelos delatores em potencial está Flávia Péres (ex-Flávia Arruda), que foi ministra da Secretaria de Relações Institucionais no governo Jair Bolsonaro. Os dois ex-servidores estão presos desde 13 de novembro de 2025, na 4ª fase da Operação Sem Desconto, que apura a chamada “Farra do INSS” — fraudes em descontos indevidos nas aposentadorias de 34.487 beneficiários, em favor de entidades como a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag).
A PF aponta que André Fidelis celebrou acordos de cooperação técnica (ACT) que habilitaram 14 entidades a realizar descontos, totalizando R$ 1,6 bilhão em valores repassados irregularmente. O deputado Alfredo Gaspar (União-AL), relator da CPMI do INSS, destacou: “André Fidelis foi o diretor que mais “concedeu acordo de cooperação técnica (ACT) da história do INSS”.”
Virgílio Oliveira Filho é acusado de receber R$ 11,9 milhões (dos quais R$ 7,5 milhões de empresas ligadas a Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”) de companhias envolvidas nos descontos fraudulentos. André Fidelis teria recebido R$ 3,4 milhões em propinas entre 2023 e 2024. As investigações incluem aumento patrimonial injustificado (R$ 18,3 milhões para Virgílio), compra de apartamento de R$ 5,3 milhões em Curitiba e reserva de imóvel de R$ 28 milhões em Balneário Camboriú (SC).
A advogada Izabella Borges, que representa Virgílio Oliveira Filho, negou a existência de delação em andamento. A reportagem do Metrópoles tenta contato com a defesa de André Fidelis. Careca do INSS também prepara proposta de delação premiada própria, após familiares se tornarem alvos.
O caso reforça as apurações sobre corrupção e lavagem de dinheiro no uso indevido de recursos previdenciários, impactando diretamente aposentados e pensionistas. A PF segue coletando provas para aprofundar as responsabilidades.


















