Instalações de “cooperação civil” servem a fins de rastreamento de satélites e vigilância estratégica; pelo menos 11 instalações em cinco países preocupam especialistas e EUA
Um novo relatório do Comitê Seleto da Câmara dos EUA sobre o Partido Comunista Chinês revela que a China está expandindo uma rede de instalações espaciais na América Latina com potencial uso militar duplo. O que é apresentado como cooperação científica e civil esconde, na visão dos autores, uma estratégia do Exército de Libertação Popular (PLA) para fortalecer capacidades de inteligência, rastreamento de satélites e monitoramento de adversários no Hemisfério Ocidental.


O documento identifica pelo menos 11 instalações ligadas à China em cinco países: Argentina, Venezuela, Bolívia, Chile e Brasil. Entre elas estão estações terrestres de rastreamento e controle (TT&C), telescópios de rádio e sítios de medição de satélites, muitos operados ou construídos por entidades vinculadas ao PLA ou ao China Satellite Launch and Tracking Control General (CLTC).
Exemplos destacados incluem a estação de espaço profundo Espacio Lejano em Neuquén (Argentina), operada sob contrato de 50 anos, e instalações em Amachuma e La Guardia (Bolívia), El Sombrero e Luepa (Venezuela), Cerro Calán (Chile) e Alcântara (Brasil).
O relatório afirma que essas estruturas permitem à China coletar inteligência sobre satélites adversários, aprimorar vigilância espacial e apoiar operações de guerra futura do PLA. Muitas instalações são classificadas como “dual-use” — com aplicações civis declaradas (como exploração lunar ou monitoramento climático), mas com capacidades técnicas que se sobrepõem a usos militares, como rastreamento preciso de órbitas, interceptação de sinais e suporte a sistemas de mísseis.
A expansão ocorre em paralelo ao aumento da influência chinesa na região via Iniciativa Cinturão e Rota (BRI), com projetos de infraestrutura que facilitam acesso estratégico. O Comitê recomenda que a administração Trump interrompa a expansão dessas instalações e busque eliminar capacidades chinesas no hemisfério que ameacem interesses dos EUA, especialmente em um contexto de crescente competição espacial global.
Especialistas em defesa veem nisso uma ameaça à segurança hemisférica, com a proximidade geográfica ampliando o risco de vigilância sobre ativos militares americanos e aliados.
A China nega intenções militares, destacando benefícios mútuos em ciência e tecnologia para países em desenvolvimento.


















