Deputado Alfredo Gaspar pede indiciamento de Fábio Luís Lula da Silva por suposta atuação como facilitador e possível sócio oculto do lobista Careca do INSS; relatório destaca pagamentos mensais de R$ 300 mil e viagens coordenadas com o operador do esquema
O relator da CPMI do INSS, deputado federal Alfredo Gaspar (União Brasil-AL), fundamentou o pedido de indiciamento de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, com base em elementos probatórios colhidos durante os trabalhos da comissão, na decisão do ministro André Mendonça do STF e em relatórios da Polícia Federal e do Coaf, de acordo com a matéria do Metrópoles.

Lulinha aparece na lista de 216 nomes sugeridos para indiciamento por crimes como organização criminosa, lavagem de dinheiro, corrupção passiva e tráfico de influência. Segundo o relator, o nome de Fábio Luís emergiu das investigações por sua relação próxima com a empresária Roberta Moreira Luchsinger e com o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, apontado como um dos operadores centrais do esquema bilionário de descontos fraudulentos que lesou milhões de aposentados e pensionistas.
O relatório afirma que Lulinha não era um “mero conhecido” de Antônio Carlos Camilo Antunes, mas alguém que teria atuado como facilitador de acesso e possível sócio oculto do lobista.
Gaspar destaca que a Polícia Federal detectou cinco pagamentos de R$ 300 mil cada em favor da empresa RL Consultoria, de propriedade de Roberta Moreira Luchsinger, totalizando R$ 1,5 milhão. Os valores foram demandados por Antônio Carlos Camilo Antunes.
O relator também cita um “padrão consistente” de viagens coordenadas entre Fábio Luís, Antônio Camilo e Roberta Luchsinger para a Península Ibérica em pelo menos três ocasiões (junho, setembro e novembro de 2024). A terceira viagem é considerada especialmente reveladora:
“Fábio Luís e Antônio Camilo embarcaram juntos em voo de Guarulhos para Lisboa, nas poltronas 6J e 3F. O que chamou especial atenção da Polícia Federal foi a proximidade temporal na aquisição das passagens: ambos os bilhetes foram comprados com exatos 21 dias de antecedência, sendo que a passagem de Antônio foi adquirida em 18/10/2024 às 14h37min e a de Fábio Luís às 14h41min, apenas 4 minutos de diferença, o que reforça a tese de planejamento conjunto.”
Segundo o relatório, esses deslocamentos, “especialmente quando organizados por alguém envolvido em esquema de lavagem de capitais de proporções bilionárias”, afastam a hipótese de mero acaso.
Outro ponto grave apontado é a suposta utilização do prestígio de ser filho do presidente da República para facilitar o acesso do lobista a órgãos federais, como o Ministério da Saúde e a Anvisa, em razão de uma empresa de cannabis medicinal administrada por Camilo.
A leitura do relatório final da CPMI do INSS ocorreu nesta sexta-feira (27), horas após o STF determinar o encerramento dos trabalhos da comissão.
Fonte: METRÓPOLES


















