Saída de Luiz Felipe Brandão de Mello ocorre poucos dias após a montadora chinesa ser incluída no cadastro de empregadores que submetem trabalhadores a condições análogas à escravidão; auditores acusam interferência política
O governo federal demitiu nesta segunda-feira o secretário de Inspeção do Trabalho, Luiz Felipe Brandão de Mello, responsável pela fiscalização que incluiu a montadora chinesa BYD na “lista suja” do trabalho escravo, de acordo com a matéria da Revista Oeste.

A portaria de demissão foi publicada no Diário Oficial da União. Mello comandava o órgão encarregado de identificar e incluir empresas que exploram mão de obra em condições degradantes ou análogas à escravidão.
A demissão acontece menos de duas semanas após auditores-fiscais do Trabalho resgatarem 163 trabalhadores chineses em situação precária nas obras da fábrica da BYD em Camaçari, na Bahia. A empresa foi incluída na lista suja no início de abril, mas teve o nome retirado três dias depois por decisão judicial.
A Associação Nacional dos Auditores-Fiscais do Trabalho (Anafitra) classificou a exoneração como uma “interferência política” grave e acusou o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, de fragilizar o combate ao trabalho escravo para proteger grandes empresas.
Auditores-fiscais denunciam que há pressão política dentro do Ministério do Trabalho para blindar companhias estratégicas, especialmente multinacionais, do mecanismo de fiscalização. O caso da BYD ganhou repercussão nacional por envolver trabalhadores estrangeiros em condições degradantes.
A saída de Luiz Felipe Brandão de Mello intensifica a crise interna no Ministério do Trabalho e levanta questionamentos sobre a autonomia da fiscalização trabalhista no governo Lula.
Fonte: Revista Oeste


















