Jornal americano compara a facção brasileira às máfias italianas, destaca sua expansão para os EUA e Europa, e aponta estrutura empresarial sofisticada que atua como “governo do mundo ilegal”
O Primeiro Comando da Capital (PCC) deixou de ser uma facção criminosa regional para se consolidar como uma das organizações mais poderosas do crime internacional. Uma extensa reportagem do Wall Street Journal revela que o grupo, fundado em 1993 após o massacre do Carandiru, opera hoje como uma “multinacional do crime”, com presença em cerca de 30 países e em todos os continentes, exceto a Antártida.


Com cerca de 40 mil membros, o PCC adotou uma estrutura empresarial descentralizada, dividida em “sintonias” responsáveis por expansão territorial, coordenação global e lavagem de dinheiro. O modelo funciona como uma franquia: membros seguem um rígido código interno de conduta, pagam contribuições e mantêm autonomia operacional, enquanto líderes comandam operações até de dentro de presídios de segurança máxima.
O jornal americano compara a organização às tradicionais máfias italianas, especialmente a ’Ndrangheta, com quem o PCC mantém aliança estratégica. Enquanto a facção brasileira atua como grande fornecedor de cocaína, a máfia italiana cuida da distribuição na Europa. “Os membros do PCC mantêm um perfil discreto e empresarial, buscando fortuna, não fama”, destaca a reportagem.
A facção tem remodelado os fluxos globais de cocaína, controlando rotas a partir de portos brasileiros como Santos — o maior da América Latina — e diversificando para o Nordeste e Paranaguá. Utiliza técnicas sofisticadas como “rip-on/rip-off” (inserção de drogas em contêineres sem o conhecimento dos exportadores), contrata mergulhadores, hackers e especialistas em logística, e usa países da África Ocidental (como Guiné-Bissau e Cabo Verde) como pontos de armazenamento antes de seguir para a Europa. Portugal surge como porta de entrada estratégica, inclusive para lavagem de dinheiro via criptomoedas.
A expansão não para na Europa. Autoridades americanas já identificaram membros ou associados do PCC em estados como Flórida, Nova York, Nova Jersey, Connecticut e Tennessee. Em Massachusetts, 18 brasileiros foram acusados de ligação com a facção. A reportagem aponta que o grupo está “avançando em direção aos Estados Unidos”, além de explorar outros crimes como mineração ilegal de ouro, tráfico de pessoas, pesca ilegal e até criação de igrejas para lavagem de dinheiro.
Especialistas ouvidos pelo WSJ afirmam que o PCC atua como “uma agência reguladora” e um “governo do mundo ilegal”, organizando o tráfico internacional com eficiência corporativa. “Nenhum integrante está acima das regras em uma facção que valoriza ‘igualdade’ e ‘união’”, explica o pesquisador Bruno Manso.
No Brasil, promotores e policiais defendem que o governo dos EUA classifique o PCC como Organização Terrorista Estrangeira, embora o governo LULA se oponha à medida.
Fonte: WSJ

















