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Como o narcotráfico e milícias financiam campanhas eleitorais e coagem eleitores no Brasil

Investigações apontam que facções criminosas estruturam esquemas de compra de votos, usam intimidação física e chegam a trocar entorpecentes por apoio político nas urnas

O crime organizado avança sobre o processo eleitoral brasileiro. Facções criminosas e milícias financiam candidatos com recursos do tráfico e de roubos, chegando a trocar drogas por votos em um fenômeno que preocupa autoridades e ameaça a liberdade do voto às vésperas das eleições de 2026.

Fonte: Marcelo Bruzzi, Rafael Quintão, Luiza Guerra, Vanessa Fernandes da Globo News /G1

De acordo com reportagem da GloboNews, o que antes se limitava a casos isolados de corrupção eleitoral agora envolve diretamente grupos como PCC, Comando Vermelho e milícias, comprometendo a escolha dos eleitores em várias regiões do país, confira:

Fonte: Globo News

Coação em territórios dominados pelo crime

No Rio de Janeiro, a situação é especialmente grave. Nas eleições de 2024, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ) precisou alterar o endereço de 53 locais de votação para evitar coação física contra eleitores. Para 2026, ao menos 20 zonas eleitorais já foram identificadas como necessitando de mudança.

O presidente do TRE-RJ, desembargador Claudio de Mello Tavares, ressalta que o voto eletrônico é seguro e secreto, mas o problema está na intimidação presencial: “Já tivemos casos em que o traficante ou o candidato apoiado pela milícia estava adentrando no local de votação, ameaçando o eleitor”. 

Casos emblemáticos envolvem candidatos e cabos eleitorais ligados a milícias, com relatos de pagamentos entre R$ 50 e R$ 100 por voto acompanhados de ameaças.

Cocaína como moeda de troca em Santa Catarina

Em Timbé do Sul (SC), uma investigação de tráfico revelou um esquema inédito: votos trocados por cocaína. O delegado Lucas Fernandes da Rosa relatou: “Foi a primeira vez, em 15 anos como delegado de polícia, que nós conseguimos verificar uma compra de voto com cocaína, com droga”. 

Fotos de títulos de eleitor eram enviadas e recebiam como contrapartida a “moeda branca” (gíria para a droga) no valor equivalente a R$ 50. Um dos beneficiados foi o vereador Sadi Vieira, que se elegeu, presidiu a Câmara e foi condenado por corrupção eleitoral.

Impactos e desafios para 2026

Especialistas alertam que a corrupção eleitoral alimentada pelo crime organizado cria um ciclo vicioso: o voto vendido resulta em piora dos serviços públicos, como saúde, educação e segurança. As investigações são complexas porque ocorrem em círculos fechados, onde o medo silencia testemunhas.

É um círculo muito próximo. Você imagina como é que essas pessoas vão eventualmente testemunhar com segurança?”, questiona a procuradora Nathalia Mariel. 

Com o aumento expressivo de investigações da Polícia Federal sobre o tema nos últimos anos, autoridades reforçam a necessidade de conscientização do eleitor e de medidas preventivas mais rigorosas para garantir a integridade das eleições de 2026.

Fonte: Globo News/G1

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