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Asfixia Financeira: como a saída da Visa e Mastercard agrava o colapso em Cuba

A partir de sábado (6 de junho de 2026), transações com os principais cartões internacionais serão suspensas, isolando ainda mais o turismo e a economia cubana em meio à pior crise em décadas

Empresas estrangeiras continuam a abandonar Cuba diante do endurecimento das sanções impostas pelos Estados Unidos, que ameaçam punir companhias com laços comerciais com o governo da ilha. As gigantes de pagamentos Visa e Mastercard são as mais recentes a suspender operações, um golpe significativo que aprofunda o isolamento financeiro do país caribenho. 

Fonte: RFI

A medida entra em vigor neste sábado, 6 de junho. A partir dessa data, pagamentos com cartões Visa e Mastercard deixarão de funcionar em Cuba, conforme anunciou o Banco Central do país. A decisão decorre diretamente de um decreto executivo norte-americano que amplia as restrições e ameaça sancionar instituições financeiras que mantenham relações com entidades cubanas. 

“Como resultado dessa decisão, Cuba está impossibilitada de receber receitas da venda de bens e serviços por meio de cartões reconhecidos internacionalmente, como Visa e Mastercard”, afirmou o Banco Central cubano em comunicado.

Impacto devastador no turismo e na economia

O economista cubano Elias Amor, radicado na Espanha, alerta que o setor mais afetado será o turismo, que já opera em níveis críticos. Turistas dependem fortemente desses cartões de crédito, enquanto a população local recorre majoritariamente a dinheiro em espécie, trocas informais e comércio de rua.

Entre janeiro e abril de 2026, o número de visitantes caiu pela metade em comparação com o mesmo período do ano anterior. A ilha enfrenta escassez crônica de combustíveis, água, eletricidade e alimentos, além de protestos frequentes contra os apagões prolongados.

A crise atual é atribuída principalmente ao endurecimento do embargo e ao bloqueio energético imposto pelos EUA desde o início do ano, somado a problemas estruturais na gestão interna do país.

Contexto de pressão crescente

A saída de Visa e Mastercard se junta à de outros grandes players, como a mineradora canadense Sherritt — principal investidora estrangeira — e redes hoteleiras internacionais. Empresas temem perder acesso ao sistema financeiro global ou ter ativos congelados caso continuem operando na ilha. 

Para o economista Jérôme Leleu, especialista em Cuba, o objetivo principal das sanções é gerar pressão econômica capaz de provocar tensões sociais e mudanças políticas no regime. “A intenção é gerar dificuldades econômicas que se traduzam em tensões sociais e, eventualmente, em mobilização popular”, afirmou.

Apesar do aperto, circulam informações sobre contatos discretos entre Washington e Havana, incluindo uma recente visita do diretor da CIA à ilha e reuniões militares próximas à base de Guantánamo.

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