Proposta de colaboração de Daniel Vorcaro aponta supostos repasses milionários a Davi Alcolumbre e conexões financeiras com o PT baiano
O cenário político na capital federal enfrenta novos tremores com os desdobramentos das tratativas de delação premiada de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. O ex-banqueiro detalhou em suas propostas de confissão um suposto esquema de influência que alcança a cúpula do Poder Legislativo e antigos acordos firmados na Região Nordeste.

O ponto mais sensível das revelações envolve o presidente do Congresso Nacional, senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Segundo os relatos apresentados por Vorcaro aos investigadores, o parlamentar teria recebido um repasse de 30 milhões de dólares (aproximadamente R$ 155 milhões na cotação atual).
O documento de intenção de colaboração aponta que o montante teria sido enviado para contas secretas no exterior em troca de apoio político a demandas que atendiam aos interesses comerciais da instituição financeira.
A Conexão com o PT da Bahia
Além das acusações que miram a presidência do Senado, veio a tona a teia de negócios que interliga as operações de Vorcaro ao Partido dos Trabalhadores (PT) na Bahia. O histórico dessa relação comercial remonta a 2007, a partir da criação do programa CredCesta, voltado para o crédito consignado de servidores públicos estaduais.
A parceria financeira expandiu-se ao longo das gestões petistas no estado e ganhou forte impulso em 2022, quando decretos locais limitaram a portabilidade dessas dívidas para outros bancos, consolidando o mercado do Banco Master na região. Embora os caminhos operacionais tenham sido mapeados, os termos e custos políticos dessas vantagens recíprocas ainda dependem de aprofundamento.
Rejeição da PF e Manifestação da Defesa
Apesar do teor bombástico das declarações, o caso ganhou novos contornos jurídicos nesta semana. A Polícia Federal formalizou a rejeição da segunda proposta de acordo de colaboração premiada apresentada pela defesa de Daniel Vorcaro, sob o argumento de que os dados careciam de novos elementos de prova materiais imediatos. Contudo, as negociações do banqueiro ainda seguem em análise na Procuradoria-Geral da República (PGR).
As investigações prosseguem sob sigilo enquanto a PGR avalia se os novos anexos trazidos pela equipe jurídica do ex-banqueiro justificam a concessão dos benefícios de uma delação homologada.
Fonte: Revista Veja


















