Relatórios revelam pagamentos que superavam R$ 400 mil, além de bonificações extras a agentes da PF por dados confidenciais
O cerco das autoridades federais se fechou sobre um suposto esquema clandestino de monitoramento e espionagem financiado pelo empresário Daniel Vorcaro. Novas informações apontam que o ex-banqueiro utilizava uma rede de intermediários para subornar servidores da ativa e outros agentes de segurança em troca de vantagens informacionais.
Segundo a PF, o grupo, conhecido como “A Turma”, era liderado pelo policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva e atuava sob coordenação de Felipe Mourão, apelidado de “Sicário” nas conversas apreendidas pelos investigadores.
Ainda segundo as apurações, Felipe Mourão e Henrique Vorcaro, pai do banqueiro, eram os operadores financeiros responsáveis por parte dos pagamentos efetuados ao núcleo criminoso.

Os dados, que integram os desdobramentos da Operação Compliance Zero, mostram que os envolvidos recebiam uma mesada fixa estipulada em R$ 400 mil por mês. O objetivo central do grupo era ter acesso privilegiado a bancos de dados oficiais e antecipar os passos de apurações policiais em andamento.
A estrutura paralela, que contava com a participação de policiais civis, federais, milicianos e bicheiros, não se limitava ao salário fixo. As auditorias financeiras e interceptações telefônicas revelaram o pagamento de uma espécie de “bônus” por metas atingidas.
Esses prêmios financeiros extras eram distribuídos sempre que o grupo conseguia entregar documentos altamente sensíveis, realizar o monitoramento de desafetos políticos e comerciais ou obter relatórios protegidos por segredo de Justiça.
As defesas de Daniel Vorcaro e dos demais citados no inquérito foram procuradas para se manifestar sobre os novos indícios levantados pela Polícia Federal, mas, até o momento da publicação desta reportagem, declararam que não comentariam o caso.


















