Diálogos de 2024 mostram dono do Banco Master celebrando suposta proximidade com o governo Lula e pedindo que informações fossem encaminhadas ao presidente via líder petista no Senado
De acordo com o jornal Estado de S. Paulo, as conversas obtidas pela Polícia Federal no celular de Vorcaro datam de julho de 2024. Nelas, o executivo Fernando Mascarenhas Filho, diretor comercial do banco, comenta a percepção de que a instituição era próxima do governo, igual aos irmãos Batista.

Vorcaro responde que a informação representa marketing para nós e orienta que o recado seja compartilhado com Lula e a base aliada. O diretor então responde que enviaria o material para “tio Guiga e Jaques”. Para a PF, Guiga refere-se ao publicitário baiano Guilherme Sodré, apontado como operador financeiro próximo a Jaques Wagner.
Investigação e resposta do senador
Os diálogos fazem parte das apurações da Operação Compliance Zero, que investiga supostas irregularidades envolvendo o Banco Master. Jaques Wagner foi alvo de busca e apreensão na última quinta-feira (18 de junho) e é suspeito de ter atuado em defesa de interesses do banco no Congresso, inclusive na chamada “Emenda Master”.
Procurado pelo Metrópoles, o senador negou qualquer relação com Vorcaro e descartou ter atuado como intermediário. Em nota, Wagner afirmou:
“O senador Jaques Wagner reitera que não tem nenhuma relação com Daniel Vorcaro e não pode ser responsabilizado por conversas de terceiros, que sequer participou e em contexto que sequer sabe qual foi. Não existiu intermediação e não existe relação.”
A PF avalia que as mensagens sugerem proximidade entre Vorcaro e figuras com influência política na Bahia. O caso ganha relevância especialmente após a nona fase da operação, que colocou o líder do governo no Senado no centro das investigações por suspeitas de favorecimento ao banco.


















