Federação paulista critica postura ideológica do Planalto e afirma que o desgaste político com Washington prejudicou a competitividade das exportações brasileiras
A imposição de novas barreiras alfandegárias pelos Estados Unidos contra produtos brasileiros gerou uma forte reação do setor produtivo nacional nesta semana. A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) manifestou profunda preocupação com o impacto do “tarifaço” sobre o mercado exportador, direcionando críticas severas à condução das relações exteriores por parte do governo federal.

“a retaliação comercial poderia ter sido evitada com uma condução técnica e pragmática”
Em comunicado oficial, a entidade patronal lamentou a sobretaxa unilateral de 25% aplicada pela administração norte-americana, destacando que o entrave comercial afeta diretamente os bens industriais de maior valor agregado do Brasil. Para a Fiesp, o distanciamento ideológico e as declarações públicas do governo brasileiro criaram atritos dispensáveis com o principal parceiro comercial de produtos manufaturados do país.
A federação destacou textualmente o descontentamento com as escolhas políticas da gestão federal:
“Em um momento de extrema sensibilidade econômica mundial, a opção do governo brasileiro por ruídos diplomáticos desnecessários, críticas personalistas, discursos eleitorais e desalinhamento político com Washington acabou por minar vínculos construídos ao longo de mais de 200 anos de cooperação bilateral”
Segundo a organização, os canais de diálogo técnico que poderiam blindar a economia nacional acabaram sendo ofuscados por disputas narrativas.
A Fiesp argumenta que o desfecho tarifário não era inevitável. O setor industrial defende que uma articulação diplomática pragmática e focada em dados macroeconômicos teria evitado o ônus que agora recai sobre as empresas brasileiras.
O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, ressaltou o peso que a nova barreira impõe a um setor que já lida com gargalos históricos, como a alta carga tributária doméstica e os custos de financiamento elevados.
Para Skaf, as tarifas funcionam como um obstáculo adicional que enfraquece a indústria frente aos concorrentes globais:
“O mercado norte-americano é o principal destino de produtos brasileiros de alto valor agregado. Esse novo ‘pedágio’ imposto às exportações se soma à crônica realidade enfrentada pelas nossas empresas, que convivem com alta carga tributária e com as taxas de juros reais mais elevadas do mundo, entre outros desafios”
Apesar do cenário adverso, a federação informou que manterá a atuação na diplomacia empresarial corporativa, buscando diálogo contínuo com entidades parceiras nos EUA para mitigar as barreiras ou tentar expandir as exceções tarifárias.
Fonte: Metrópoles


















