Relatório divulgado pelos Estados Unidos acusa nações de facilitarem o transbordo ilegal de mercadorias para burlar tarifas alfandegárias norte-americanas
O governo dos Estados Unidos incluiu o Brasil em um grupo de mais de 40 países apontados em um novo relatório oficial como parte de uma suposta rede de triangulação comercial ligada à China. Divulgado nesta quinta-feira (13), o documento da Casa Branca detalha o que Washington classifica como práticas de “transshipment” (transbordo) ilegal, cujo objetivo seria mascarar a origem de produtos chineses para escapar de tarifas de importação impostas pelo mercado norte-americano.

O conteúdo do relatório e a posição do Brasil
Intitulado de forma contundente e liderado pelo escopo de fiscalização comercial do governo de Donald Trump, o levantamento coloca o Brasil em um patamar de integração econômica e logística intermediária com Pequim.
Segundo as diretrizes apresentadas por autoridades econômicas dos EUA, como o conselheiro comercial Peter Navarro, nações incluídas nessa rota funcionariam como plataformas regionais de montagem, armazenamento e reembalagem de mercadorias. Na prática, o processo alteraria a origem declarada dos itens antes que eles sigam rumo ao mercado consumidor dos Estados Unidos, evitando taxas alfandegárias pesadas.
Impacto financeiro e endurecimento na fiscalização
A avaliação da Casa Branca aponta que esquemas de contorno tarifário geram perdas multibilionárias anuais aos cofres norte-americanos, estimados entre US$ 19 bilhões e US$ 26 bilhões. Como resposta direta a essa movimentação, o governo dos EUA planeja intensificar o cerco alfandegário com o uso de tecnologias avançadas de rastreio, inteligência artificial e cruzamento de dados de rotas comerciais.
A inclusão do Brasil nessa lista sensível adiciona um novo elemento de tensão e escrutínio nas relações diplomáticas e comerciais entre Brasília e Washington, enquanto o setor produtivo nacional e analistas econômicos avaliam os reflexos que o endurecimento das barreiras americanas poderá provocar nas exportações e na cadeia logística regional.
Fonte: O Globo
*Imagem da capa gerada por IA

















