Com aporte robusto financiado por fundos estratégicos e pelo Departamento de Guerra norte-americano, transação na casa dos R$ 7,7 bilhões sela o controle da mina Pela Ema, em Goiás, e garante suprimento mineral de longo prazo para Washington
A empresa norte-americana USA Rare Earth finalizou os arranjos de capitalização de uma Sociedade de Propósito Específico (SPE) avaliada em impressionantes US$ 1,55 bilhão (cerca de R$ 7,7 bilhões) para viabilizar a aquisição da Serra Verde, reconhecida como a única mineradora de terras raras em operação comercial no Brasil.
O que chama profundamente a atenção no negócio é a participação direta do governo dos Estados Unidos. Do total injetado na estrutura financeira da operação, cerca de US$ 750 milhões (aproximadamente R$ 3,8 bilhões) provêm diretamente de fundos ligados ao Departamento de Guerra norte-americano (num aporte que sofreu um acréscimo recente de US$ 250 milhões), evidenciando o caráter de segurança nacional e soberania industrial da transação.
A importância estratégica da mina em Goiás e o controle norte-americano
Com a conclusão do processo de compra — cuja votação decisiva em assembleia de acionistas está marcada para os próximos dias —, a USA Rare Earth assumirá o controle operacional da mina Pela Ema, situada no estado de Goiás.
O empreendimento brasileiro é considerado uma preciosidade em termos estratégicos globais por ser um dos raríssimos locais fora da Ásia em plena atividade comercial capazes de extrair e fornecer em escala os quatro elementos de terras raras magnéticas essenciais:
- Neodímio
- Praseodímio
- Disprósio
- Térbio
Esses componentes químicos são vitais e insubstituíveis na fabricação de ímãs permanentes de alta performance, aplicados desde a indústria de veículos elétricos e eletrônicos de ponta até equipamentos militares e de defesa sensíveis.
Garantias de fornecimento e contrato de 15 anos
Além de injetar bilhões na estrutura de aquisição e capitalização da empresa, o acordo desenhado por Washington assegura o controle de escoamento da produção nacional.
- Compra garantida de longo prazo: O governo dos EUA firmou um compromisso para adquirir ao menos US$ 300 milhões (cerca de R$ 1,5 bilhão) em produtos de terras raras ao longo de cinco anos.
- Exclusividade e preços mínimos: Foi estabelecido um contrato de fornecimento de 15 anos pelo qual a totalidade da produção da Fase I será direcionada à entidade controlada pelos investidores e pelo governo americano, contando inclusive com cláusulas de pisos de preços para proteger o fornecimento contra oscilações de mercado.
A movimentação agressiva dos Estados Unidos no território brasileiro ocorre no momento em que o Congresso Nacional debate propostas de criação de travas e regulamentações mais rígidas para proteger minerais críticos e a soberania nacional frente ao apetite estrangeiro. Enquanto Brasília discute marcos regulatórios, Washington consolida rotas diretas de abastecimento mineral para blindar sua cadeia industrial e tecnológica da dependência asiática.
Fonte: G1
*Imagem da capa gerada por IA


















