Registros telefônicos e relatórios entregues pela Polícia Federal apontam que o ex-chefe da Pasta das Comunicações atuou na interlocução entre o empresário e o magistrado, exigindo pontualidade em repasses financeiros
Investigações conduzidas pela Polícia Federal (PF) trouxeram novos elementos sobre os bastidores da relação entre o empresário Daniel Vorcaro, ex-proprietário do Banco Master, e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Entre os documentos revelados após a suspensão do sigilo judicial, constam mensagens em que o ex-ministro das Comunicações Fábio Faria cobra o banqueiro a respeito de repasses financeiros devidos ao escritório de advocacia da esposa do magistrado, disparando o alerta de que “o careca não pode atrasar”.

O material probatório destrinchado pela corporação policial compõe um acervo de registros de chamadas, arquivos e mensagens extraídos diretamente dos dispositivos apreendidos do fundador do Banco Master. Os dados detalham a rede de conexões e a participação de intermediários na facilitação de contatos e no acompanhamento de compromissos corporativos e financeiros firmados no período.
Intermediação de Contatos e Alinhamento de Prazos
De acordo com as apurações da Polícia Federal, Fábio Faria atuou diretamente na aproximação entre Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes. Os registros mostram que o ex-ministro cobrava o empresário sobre o andamento e a formalização dos contratos com a banca Barci de Moraes Associados, gerida por Viviane Barci de Moraes. Em uma das conversas mapeadas pelos investigadores, Faria indaga o banqueiro se ele já havia respondido à advogada e alinhado o período de vigência dos serviços, cujos valores mensais alcançavam cifras milionárias.
Além do acompanhamento contratual, a investigação aponta que a interlocução abrangeu a marcação de encontros presenciais e jantares em Brasília envolvendo as partes.
Repercussão e Defesas
Após a divulgação do conteúdo dos relatórios policiais, as defesas e os citados manifestaram-se sobre os fatos. Representantes de Fábio Faria declararam que o ex-ministro apenas sugeriu o nome do escritório Barci de Moraes para uma atuação em disputa judicial em São Paulo, ressaltando que nunca participou de reuniões com a banca e que “sequer tomou conhecimento dos valores contratados entre as partes”.
O aprofundamento das análises sobre o material apreendido segue sob escrutínio das autoridades competentes, mantendo sob foco a complexa teia de relações entre agentes políticos, o mercado financeiro de grande porte e o sistema de justiça nacional.
Fonte: Estadão
*Imagem da capa gerada por IA


















