Sob forte desgaste político decorrente de atritos internos e repercussões de investigações recentes, ministros tidos como próximos ao governo federal optam por não ocupar a tribuna de honra ao lado do petista Lula da Silva na celebração cívica em Brasília
O desfile cívico-militar de 7 de Setembro na Esplanada dos Ministérios foi marcado por um cenário de evidente distanciamento entre o Palácio do Planalto e a cúpula do Poder Judiciário. Alvo de intensas pressões políticas e de repercussões geradas por revelações de mensagens atribuídas a conversas com o fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, o ministro Alexandre de Moraes e outros magistrados da Suprema Corte considerados mais próximos ao governo optaram por não comparecer à solenidade oficial. Embora convidados formalmente para integrar o palanque presidencial ao lado de chefes de outros Poderes, os ministros preferiram ausentar-se do evento para evitar a exposição pública em meio à crise que abala o tribunal.

A ausência de nomes centrais do STF — incluindo ministros como Gilmar Mendes e Cristiano Zanin — evidenciou a gravidade do momento institucional que o país atravessa, exacerbado por embates públicos entre integrantes do próprio tribunal, a exemplo do confronto processual envolvendo o ministro André Mendonça. Para a gestão petista, o reflexo do isolamento na tribuna cívica representou um obstáculo simbólico adicional, justamente quando o governo tentava centralizar o discurso oficial em torno do lema de soberania nacional e união das instituições, poucos dias antes da viagem de Lula para a Assembleia Geral da Nações Unidas em Nova York.
O impacto eleitoral da crise na Suprema Corte
A turbulência jurídica e a retração dos ministros do evento oficial acabaram por fornecer munição imediata para a oposição durante o período de campanha eleitoral. Candidatos adversários, liderados por nomes do espectro conservador, aproveitaram a data para transformar o desgaste do STF e a figura de Alexandre de Moraes em eixos centrais de mobilizações de rua pelo país.
Nos bastidores da campanha governista, aliados reconhecem que a permanência do escândalo no centro do debate público dificulta os esforços do Palácio do Planalto para blindar a imagem do Executivo de crises sistêmicas, acirrando ainda mais a polarização política às vésperas do primeiro turno.
Fonte: O Globo
*Imagem da capa gerada por IA


















