Diálogos do ex-CEO Daniel Vorcaro expõem cobranças intensas por repasses de R$ 33 milhões a Dalide Corrêa, enquanto gabinete do ministro do STF e defesa rechaçam veementemente qualquer vínculo societário
Registros extraídos do celular do ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, e apreendidos pela Polícia Federal (PF) trouxeram à tona novas revelações sobre os bastidores financeiros e jurídicos da instituição. De acordo com as conversas mapeadas pelos investigadores, a cúpula do banco tratava internamente a advogada Dalide Corrêa — cujo escritório recebeu um total de R$ 33 milhões da instituição financeira — sob a alcunha de “sócia de Gilmar”, em referência ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes.

O Conteúdo das Mensagens e as Cobranças Internas
O material probatório detalha a pressão exercida por executivos do alto escalão do banco pela liberação rápida de faturas milionárias. Em dezembro de 2024, em meio a discussões sobre atrasos e cobranças feitas pela advogada, o então diretor jurídico do Master, Luiz Rennó, enviou uma mensagem direta a Vorcaro exigindo a autorização de um pagamento.
No diálogo, Rennó argumenta: “Fala amigo! Aquele pagamento é para Dalide! Aqueles precatórios! Ela é sócia do GM stf! O Leandro sócio dela é muito complicado e eles operam com o BTG. Autoriza esse”.
A menção a faturas expressivas já havia aparecido em outros momentos da gestão. Em 27 de agosto de 2024, o mesmo diretor jurídico cobrou urgência do CEO repassando ordens para o superintendente-executivo de tesouraria, Alberto Félix. Na ocasião, tratava-se de uma fatura de R$ 15 milhões destinada à profissional. Questionado por Vorcaro sobre o motivo da transação, Rennó justificou que o montante correspondía a uma vitória jurídica relevante em disputas de precatórios da Usina Catende, em Pernambuco.
A Atuação no Mercado de Precatórios e o Escopo das Apurações
A atuação da advogada Dalide Corrêa estava voltada primordialmente para a defesa dos interesses do Banco Master em litígios complexos no mercado de precatórios, especialmente no setor sucroalcooleiro. No entanto, as transações financeiras e o volume de recursos direcionados a escritórios parceiros passaram a integrar o escopo das investigações da Polícia Federal sobre as operações de crédito e fundos da instituição.
Resposta Oficial do Gabinete de Gilmar Mendes e da Defesa
Diante da repercussão das mensagens recuperadas pela perícia da PF, o gabinete do ministro Gilmar Mendes emitiu uma nota oficial de esclarecimento rechaçando categoricamente as afirmações atribuídas aos executivos do banco:
“O Ministro Gilmar Mendes nunca teve qualquer sociedade com a advogada, nem no IDP nem em qualquer outra empresa. A afirmação atribuída a executivos do Banco Master é falsa. O Ministro não tem conhecimento de atuação da advogada em processos relacionados a precatórios do setor sucroalcooleiro. […] O decano, porém, votou contra os interesses de Vorcaro [nos julgamentos da Corte]”.
O comunicado esclarece ainda que Dalide Corrêa ocupou um cargo técnico de diretora-geral no Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP), mas desligou-se da instituição em novembro de 2016, há quase uma década. Por sua vez, a defesa da advogada e seu escritório sustentaram que a atuação profissional restringiu-se ao exercício regular da advocacia em instâncias judiciais, com histórico de resultados tanto favoráveis quanto desfavoráveis, negando qualquer relação societária com autoridades do STF ou vínculos com o banco BTG Pactual.
Fonte:O Globo
*Imagem da capa gerada por IA


















