Registros em vídeo contrastam diretamente com a negativa oficial emitida anteriormente pelo magistrado, acirrando o debate sobre as conexões entre o Judiciário e os bastidores do Banco Master
A revelação de novos elementos documentais e audiovisuais colocou sob intenso escrutínio público a relação entre autoridades de alta projeção institucional e figuras centrais do mercado financeiro. Investigações em curso trouxeram à tona imagens e mensagens que ligam o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, a uma aeronave executiva pertencente ao empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
Confira as conversas de Vorcaro sobre Barci:





O ponto central da polêmica envolve o contraste direto entre os registros recém-divulgados e as posições oficiais previamente assumidas. Em abril, em meio às repercussões de investigações financeiras, o gabinete de Alexandre de Moraes emitiu uma nota taxativa na qual assegurava que o ministro “jamais viajou em nenhum avião de Daniel Vorcaro”. No entanto, novas apurações e sequências de vídeos desmentem essa narrativa ao flagrar o magistrado e sua esposa, Viviane Barci, desembarcando de um jato executivo Legacy 650 no Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, em agosto de 2025.
O Contexto dos Contratos e as Mensagens da Polícia Federal
A materialidade do episódio ganhou força com a análise de dados extraídos de dispositivos eletrônicos apreendidos pela Polícia Federal durante as diligências contra o banqueiro. Registros de conversas de WhatsApp recuperados dos celulares de Vorcaro mostram tratativas diretas sobre a disponibilização de frotas de jatos e helicópteros. Em diálogos com administradores da empresa PrimeYou — responsável pela gestão dos bens de luxo —, o empresário cobrava agilidade e questionava se o uso pelas figuras citadas estava liberado, havendo menções a ajustes contratuais envolvendo o escritório de advocacia ligado à família do ministro.
As revelações ganham ainda mais peso ao se conectarem com auditorias fiscais que apontam contratos expressivos firmados por bancas advocatícias associadas a nomes próximos ao círculo de influência do poder judiciário, incluindo acordos de cifras milionárias que antecedem e contextualizam a dinâmica de favores e o uso de infraestrutura corporativa de alto luxo.
Questionado novamente pelas redações jornalísticas após a exibição das imagens do desembarque, o ministro manteve a mesma linha de defesa institucional anterior, reiterando sua negativa sobre as viagens. Enquanto isso, juristas, parlamentares e observadores políticos acompanham os desdobramentos das investigações, que prometem novos capítulos diante da colisão entre as provas digitais e as declarações oficiais.
Fonte: O Globo / Metrópoles
*Imagem da capa editada por IA

















