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Chefia de gabinete de Lula debateu o Caso Master com advogado de Daniel Vorcaro no WhatsApp

Mensagens extraídas de celular apreendido detalham articulações nos bastidores do governo, críticas ao Banco Central e tentativas de aproximação com o Palácio do Planalto

Registros de conversas extraídos do telefone celular do banqueiro Daniel Vorcaro e analisados pela Polícia Federal vieram a público nesta quinta-feira (24/09), revelando articulações de alto escalão. O material expõe que o chefe de gabinete do petista Lula da Silva, Marco Aurélio Santana Ribeiro (conhecido como Marcola), debateu o chamado “Caso Master” diretamente com o advogado Walfrido Warde, que defendia Vorcaro, em um grupo de mensagens no aplicativo WhatsApp. 

O conteúdo das conversas detalha a movimentação para construir uma ponte de diálogo entre o ex-banqueiro e o governo federal, além de pressões direcionadas contra a atuação de órgãos reguladores do mercado financeiro. 

Flávio Bolsonaro se manifestou, confira:

Articulações e o grupo “Amigos”

De acordo com as investigações da Polícia Federal, os diálogos monitorados mostram a forte interlocução mantida entre os envolvidos. Em julho de 2025, o cenário esquentou após Vorcaro tomar conhecimento de uma reunião em que o presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, teria apontado erros contábeis nas contas do Banco Master. 

Diante da postura do BC, a reação do banqueiro foi incisiva com sua defesa:

  • “Não dá mais. Eles não fazem (a operação). Temos que ir pro embate. Esse cara é um merda”, escreveu Vorcaro a Warde.
  • “Vamos para cima”, respondeu o advogado.
  • “Avise o presidente amanhã e vamos pra guerra”, pediu o banqueiro, ao que o defensor retrucou: “Já fiz isso”.

Na sequência, Walfrido Warde levou a discussão para dentro de um grupo de WhatsApp chamado “Amigos”, do qual faziam parte o próprio Marcola (chefe de gabinete de Lula) e o advogado Rafael Valim, sócio de Warde. No chat, o advogado disparou contra o chefe da autarquia monetária e acionou diretamente o assessor presidencial: 

“@Marco Aurélio Marcola teremos de ir pra cima do Bacen. Peço pra avisar o presidente”, escreveu Warde, acrescentando logo depois: “Não dá mais. O Gabriel [Galípolo], não tem estofo pro cargo. Avise o chefe por favor”. 

Quatro minutos após a cobrança, o chefe de gabinete de Lula respondeu de maneira sucinta: “Vixe. Blz”. Em seguida, Warde reclamou que Galípolo estaria “embarreirando” a operação de venda do Master ao BRB (banco público de Brasília). Marcola encerrou o trecho do diálogo afirmando: “Avisarei aqui. Dou notícias”. 

Histórico de aproximação e e-mails monitorados

As apurações revelam que a movimentação para aproximar Vorcaro do núcleo duro do governo começou bem antes, em abril de 2024. Na ocasião, registros em áudio demonstraram que Walfrido Warde atuou junto a Marcola para alinhar o envio de demandas de interesse direto do grupo Master.

Em uma gravação enviada ao banqueiro, o defensor detalhou as instruções repassadas pelo secretário pessoal de Lula:

“Fala Dani. Acabei de receber uma mensagem do Marcola, secretário pessoal do presidente, cobrando teu email. Manda para mim o email sobre os assuntos que você gostaria de falar, os interesses do grupo, eu ajeito aqui e eu mesmo mando o e-mail”, orientou Warde na época. 

O posicionamento oficial do Palácio do Planalto

Procurada para prestar esclarecimentos sobre os novos desdobramentos e o teor das mensagens reveladas pela Polícia Federal, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom) reiterou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva manteve apenas um único encontro oficial com Daniel Vorcaro, ocorrido em 4 de dezembro de 2024. 

A nota da Secom reforça que “não houve nenhum outro contato entre o presidente e Daniel Vorcaro” e que a administração federal “não tem conhecimento da suposta articulação” detalhada nos diálogos do aplicativo de mensagens. 

Fonte: O Globo

*Imagem da capa editada por IA

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