As companhias controladas pela União registraram saldo operacional negativo impulsionado pelo aumento de custos e expansão de investimentos, pressionando as contas do setor público consolidado
As empresas estatais federais brasileiras registraram um deficit primário de R$ 2 bilhões no mês de setembro, marcando o pior resultado para este período específico da série histórica iniciada em 2002, segundo dados oficiais divulgados pelo Banco Central (BC). O indicador engloba o desempenho financeiro de companhias controladas diretamente pelo governo federal, desconsiderando empresas dos setores financeiro e de energia, como Petrobras e Eletrobras.

O resultado negativo contrasta com o desempenho verificado no mesmo mês de anos anteriores e reflete um aumento expressivo nas despesas operacionais e no volume de investimentos executados pelas estatais no decorrer do exercício de 2026.
Fatores Determinantes para o Deficit Histórico
De acordo com o relatório de estatísticas fiscais do Banco Central, a trajetória de saldo negativo nas contas das companhias públicas vem sendo influenciada por uma combinação de fatores operacionais e orçamentários:
- Elevação de Custos de Custeio: Aumento no volume de gastos correntes necessários para a manutenção das atividades das empresas.
- Aceleração de Planos de Investimento: Ampliação na execução de projetos de infraestrutura e melhorias operacionais previstos nos orçamentos das estatais para o ciclo vigente.
- Diferença de Arrecadação Própria: Ritmo de receita operacional abaixo da velocidade de execução das despesas programadas.
O indicador de resultado primário mede a diferença entre as receitas e as despesas das empresas, excluindo do cálculo o pagamento de juros da dívida.
Impacto no Setor Público Consolidado e Trajetória Acumulada
O desempenho negativo das estatais federais em setembro contribui para o saldo global das contas públicas brasileiras. No acumulado do ano, as companhias federais mantêm uma trajetória de pressão fiscal que exige monitoramento contínuo por parte do Ministério da Fazenda e do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos.
Analistas de contas públicas apontam que o comportamento das empresas estatais é um componente chave na meta fiscal do setor público consolidado — que reúne Governo Central, estados, municípios e empresas estatais. O acompanhamento do indicador pelo Banco Central serve como balizador para avaliar a sustentabilidade do endividamento público e o cumprimento das metas fiscais estabelecidas na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO).
Fonte: Folha de São Paulo
*Imagem da capa editada por IA


















