Um vídeo obtido pela Polícia Federal e divulgado nesta quinta-feira (4/12) mostra o então deputado estadual Thiago Raimundo dos Santos Silva, o TH Joias enviando imagens de carnes para o WhatsApp do presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar (União Brasil), na véspera da Operação Zargun, que o prenderia por tráfico de armas para o Comando Vermelho. Para os investigadores, a gravação é prova que Bacellar, preso na quarta-feira (3/12), vazou informações sigilosas e orientou o aliado a destruir provas.
No vídeo, TH aparece exibindo cortes de carne e faz piada com a possibilidade de serem “roubados” pela PF.
“Ô presida! Não tem como levar não, irmão. Pô, como é que leva?! Tem como levar não, irmão. Esses filhas das p* vão roubar as carnes, hein”, diz TH Joias, segundo trecho do inquérito. Bacellar responde apenas: “Deixa, doido”.
O diálogo já havia sido revelado pelo blog de Octávio Guedes, mas as imagens só vieram à tona agora. Segundo a PF, na tarde de 2 de setembro Bacellar ligou para TH Joias, avisou que haveria mandados de busca e prisão contra ele no dia seguinte e deu a ordem para “sumir com tudo”.
Horas depois, câmeras de segurança flagraram um caminhão-baú estacionando na casa do deputado: dois homens retiravam caixas e móveis às pressas, numa operação de mudança-relâmpago para ocultar documentos, joias e armas.
A queda de Bacellar aconteceu dentro da própria Superintendência da PF, na Praça Mauá. “Convidado” para uma “reunião” pelo superintendente Fábio Galvão, o presidente da Alerj chegou de carro próprio e recebeu voz de prisão logo na entrada. Seu celular foi imediatamente apreendido e, no veículo, os agentes encontraram R$ 90 mil em espécie.
A ordem partiu do ministro Alexandre de Moraes (STF), que expediu prisão preventiva e afastou Bacellar da presidência da Alerj.
“Os fatos narrados pela Polícia Federal são gravíssimos, indicando que Rodrigo Bacellar estaria atuando ativamente pela obstrução de investigações envolvendo facção criminosa e ações contra o crime organizado, inclusive com influência no Poder Executivo estadual, capazes de potencializar o risco de continuidade delitiva e de interferência indevida nas investigações da organização criminosa”, escreveu Moraes.
O advogado Bruno Borragini, que defende Bacellar, classificou a prisão como “totalmente desproporcional” e afirmou que o deputado “não praticou nenhuma conduta ativa” para obstruir as investigações.
Com a cadeira da presidência da Alerj vaga, a Assembleia deve eleger um substituto nas próximas horas, enquanto a PF segue rastreando os tentáculos da organização que, segundo Moraes, contava com “fortes indícios” da participação direta do ex-todo-poderoso do Legislativo fluminense.


















