Trump ameaça Petro: “Vai ser o próximo” na guerra às drogas
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, elevou o tom das tensões com a Colômbia na quarta-feira (10/12), ao afirmar que o ditador Gustavo Petro pode ser o “próximo” alvo da ofensiva americana contra o narcotráfico na América Latina, se não “se ligar” para conter a produção de drogas em seu país.
Falando a jornalistas durante evento na Casa Branca, Trump acusou Petro de hostilidade aos EUA e de falhar no controle da produção de cocaína, que, segundo ele, é fabricada na Colômbia e vendida diretamente ao mercado americano. “Ele vai ter sérios problemas se não se ligar.
A Colômbia produz muita droga, eles têm fábricas de cocaína. Eles fabricam cocaína, como você sabe, e vendem direto para os Estados Unidos. (…) Então é melhor ele se ligar ou será o próximo. E eu espero que ele esteja ouvindo, porque ele vai ser o próximo”, declarou o republicano.
Horas depois, em reunião de gabinete em Bogotá, Petro respondeu duramente, acusando Trump de estar “muito mal informado” sobre a realidade colombiana e as ações de seu governo contra o tráfico.

“Trump está muito mal informado sobre a Colômbia. É uma vergonha, porque ele desconsidera o país que mais entende de tráfico de cocaína; parece que seus interlocutores o estão enganando completamente”, disse o presidente de esquerda, cujo mandato termina em agosto de 2026.
Petro citou dados para rebater as críticas: seu governo apreendeu 2.700 toneladas de cocaína até agora e destrói nove laboratórios de processamento por dia.
“Essa terrível desinformação direcionada ao presidente dos Estados Unidos o leva a fazer declarações e tomar medidas que não podem ser direcionadas a um presidente democraticamente eleito pela maioria da sociedade colombiana”, pontuou.
“Não espero mais ser convidado a Washington, mas sim que Trump venha à Colômbia para ver o que é um laboratório de cocaína, como nove são destruídos todos os dias e como apreendemos dezenas de toneladas de drogas”, acrescentou, em tom irônico.
A troca de farpas ocorre em meio a uma escalada de atritos bilaterais ao longo de 2025, especialmente desde que os EUA intensificaram um destacamento militar no Caribe e no Pacífico, sob o pretexto de combater o narcotráfico.
As forças americanas destruíram até agora 23 embarcações supostamente carregadas de drogas na região, ataques que deixaram pelo menos 87 mortos – a maioria perto da costa venezuelana.
Petro tem questionado a legalidade dessas operações, argumentando que elas violam a soberania regional e matam pescadores pobres, enquanto os verdadeiros chefes do tráfico operam de iates em Dubai ou Madri. Trump, por sua vez, defende as medidas como essenciais e sinaliza expansão para terra firme, incluindo possivelmente a Colômbia – o maior produtor mundial de coca, segundo estimativas da ONU.
A Colômbia, aliada histórica dos EUA na “guerra às drogas” por décadas, teve sua certificação antidrogas revogada por Washington em setembro pela primeira vez desde 1997.
Sanções contra Petro e sua família foram impostas logo após, sob acusação de envolvimento com o tráfico – alegação veementemente negada pelo presidente colombiano, que alerta: ameaças à soberania equivaleriam a “declarar guerra” e poderiam “despertar o jaguar”.
Analistas veem o episódio como risco de ruptura em relações diplomáticas de dois séculos, em um contexto de divergências ideológicas entre os líderes.


















