PGR aponta que ex-assessora de Arthur Lira controlava “indicações desviadas de emendas decorrentes do orçamento secreto” em operação da PF
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, afirmou que Mariângela Fialek, conhecida como Tuca e ex-assessora do deputado federal Arthur Lira (PP-AL), atuava no controle de “indicações desviadas de emendas decorrentes do orçamento secreto” para beneficiar uma organização criminosa “voltada à prática de desvios funcionais e crimes contra a administração pública e o sistema financeiro nacional”.
A declaração, baseada em depoimentos coletados pela Polícia Federal (PF), embasou a deflagração da Operação Transparência nesta sexta-feira (12), que cumpriu mandados de busca e apreensão na residência e no local de trabalho da investigada.
Atualmente lotada na Liderança do Partido Progressista (PP) na Câmara dos Deputados, com salário de R$ 23,7 mil mensais, Fialek – que também atuava como conselheira fiscal da Codevasf, estatal frequentemente abastecida por emendas do orçamento secreto – teve seu celular apreendido na ação.
Apesar de formalmente na liderança do PP, ela continua a trabalhar com a liberação de emendas, agora assessorando o atual presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), em funções semelhantes às que exercia durante a gestão de Lira (2021-2025).
Gonet destacou que o pedido da PF está “encorporado com significativos elementos, materializados em diversos depoimentos e análises policiais, sugestivos da atuação ilícita da requerida Mariângela Fialek”.
Em sua manifestação nos autos, consultada pelo relator no Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Flávio Dino, o procurador-geral escreveu:
“O histórico de cargos estratégicos e os achados dos dados telemáticos confirmam as hipóteses levantadas, especialmente em decorrência das fortes evidências ancoradas nas citadas planilhas/tabelas armazenadas em nuvem, igualmente comprobatórias do papel crucial da investigada na alocação de emendas e distribuição de recursos”.
A operação, autorizada por Dino, não tem Lira como alvo direto, mas é um desdobramento de investigações sobre irregularidades no Orçamento Secreto – mecanismo proibido pelo STF em 2022 por falta de transparência, que envolvia emendas de relator sem identificação clara dos autores.
A ação apura crimes como peculato, corrupção, falsidade ideológica e uso de documento falso na indicação e execução de emendas parlamentares, com foco em desvios estimados em R$ 4,2 bilhões.
Os depoimentos que subsidiaram a investigação incluem os de deputados como Glauber Braga (PSOL-RJ), José Rocha (União-BA), Adriana Ventura (Novo-SP), Fernando Marangoni (União-SP) e Dr. Francisco (PT-PI), além do senador Cleitinho (Republicanos-MG).
Batizada de Transparência, a operação visa esclarecer a destinação irregular de recursos públicos via emendas individuais e de bancada, em meio a críticas recorrentes sobre a opacidade do sistema. Lira e Fialek foram procurados, mas não se manifestaram até o momento.


















