Moscou alerta que escalada de tensões na Venezuela pode gerar impactos imprevisíveis para o Ocidente
O Ministério das Relações Exteriores da Rússia declarou nesta quarta-feira (17/12) que o agravamento das tensões envolvendo a Venezuela representa riscos de “consequências imprevisíveis para todo o Ocidente”, conforme divulgado pela agência estatal TASS.

O posicionamento surge uma semana após o Kremlin divulgar uma conversa telefônica entre o presidente Vladimir Putin e o líder venezuelano Nicolás Maduro, na qual o russo reafirmou o respaldo integral ao governo de Caracas diante das pressões crescentes impostas pelos Estados Unidos.
Na terça-feira (16/12), o presidente Donald Trump intensificou as medidas ao declarar que a Venezuela estava “completamente cercada” e ao determinar um bloqueio total contra petroleiros sancionados que ingressam ou saem do país. Há cerca de uma semana, forças norte-americanas interceptaram e confiscaram uma dessas embarcações. Trump acusou o governo venezuelano de apropriação indevida de petróleo e territórios pertencentes aos EUA, embora sem detalhar as alegações específicas.
Esse apoio russo a Maduro não é isolado, desde que Trump iniciou uma campanha mais agressiva contra o presidente venezuelano, acusado de liderar uma rede de narcotráfico. Em 7 de novembro, a porta-voz da chancelaria russa, Maria Zakharova, havia sinalizado que Moscou estava preparada para atender eventuais solicitações de assistência da Venezuela.
A firme declaração de Moscou coincide com esforços norte-americanos para convencer a Rússia a aceitar um acordo de paz na Ucrânia. De acordo com a agência Bloomberg, que consultou fontes familiarizadas com as discussões, Washington prepara uma nova bateria de sanções direcionadas ao setor energético russo como forma de forçar Putin a flexibilizar suas posições.
Ao comentar a matéria nesta quarta-feira, o Kremlin limitou-se a afirmar que tais medidas “prejudicam os esforços para reparar as relações entre EUA e Rússia”.
Pouco depois, Putin abordou o tema das negociações de paz, rejeitando qualquer plano de agressão à Europa e criticando autoridades ocidentais pelo aumento da retórica beligerante.
“No Ocidente falam em se preparar para uma grande guerra, e o nível de histeria está aumentando. As declarações sobre uma ameaça russa são mentiras. Buscamos cooperação mútua com os Estados Unidos e os Estados europeus”, declarou o líder russo.
Embora defenda a via diplomática, Putin enfatizou que não abrirá mão das metas que motivaram o que ele denomina “operação militar especial” na Ucrânia, iniciada em 2022:
“Os objetivos da operação militar especial serão alcançados. A Rússia libertará seu território por meios militares se a Ucrânia e seus líderes abandonarem o diálogo”.
Quanto a informações publicadas pelo “The New York Times” sobre uma proposta norte-americana de paz que incluiria garantias de segurança para a Ucrânia, com uma força militar de liderança europeia, o porta-voz do Kremlin destacou que a rejeição russa a esse ponto é conhecida.
“Nossa posição sobre contingentes militares estrangeiros em território ucraniano é bem conhecida. Absolutamente coerente e compreensível. Mas, novamente, este é um assunto para discussão”, afirmou.
Peskov acrescentou que não há expectativa de visita do enviado especial norte-americano Steve Witkoff a Moscou nesta semana e que a Rússia aguarda ser informada sobre os resultados das tratativas com a Ucrânia.
A interseção entre as crises na Venezuela e na Ucrânia destaca as complexas dinâmicas geopolíticas atuais, com Moscou posicionando-se como contraponto às ações de Washington em múltiplas frentes.


















