A Corte de Apelação de Roma postergou para 20 de janeiro de 2026 o veredicto sobre o pedido de extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli (PL-SP), atendendo solicitação da defesa da parlamentar.
Zambelli, que renunciou ao mandato parlamentar no último final de semana após o Supremo Tribunal Federal (STF) confirmar a perda automática da função, está detida na Itália desde julho, aguardando o desfecho do processo.
O Ministério Público italiano já emitiu parecer favorável à extradição, considerando que o caso atende todos os requisitos legais, sem evidências de perseguição política ou violação ao direito de defesa na condenação brasileira.
Motivo do adiamento: análise de documentos brasileiros
A prorrogação permite que a defesa examine detalhadamente as informações enviadas pelo governo brasileiro sobre o sistema penitenciário nacional. Os documentos especificam que, em caso de retorno ao Brasil, Zambelli cumpriria pena na Penitenciária Feminina do Distrito Federal, conhecida como Colmeia.
Conforme o material elaborado pela Vara de Execuções Penais do DF, o presídio separa internas por regimes em “blocos distintos, assegurando a não convivência entre internas de regimes diversos”.
O texto destaca ainda que “Registra-se que nunca houve rebelião na PFDF. No sistema prisional destinado ao público masculino, o último episódio de rebelião data de 2001 — o que evidencia a capacidade de controle e atuação técnica da Polícia Penal do Distrito Federal”.
Além disso, a unidade “adota rotinas institucionais de monitoramento e prevenção de violação de direitos, com inspeções periódicas dos órgãos de controle e mecanismos internos de supervisão”.
Parecer italiano rejeita tese de perseguição
No entendimento do procurador Erminio Carmelo Amelio, Zambelli é “apenas formalmente cidadã italiana”, pois “Ela não reside na Itália, não está integrada ao tecido social, não tem seu centro de interesses de qualquer espécie na Itália (muito pelo contrário: ela é deputada federal no Brasil)”.
O MP italiano concluiu que a ex-parlamentar agiu de forma consciente ao planejar a invasão hacker nos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), contratando o hacker Walter Delgatti Neto.
Contexto da fuga e condenação
Zambelli deixou o Brasil em maio de 2025, passando por Argentina e Estados Unidos, antes de se instalar na Itália, onde comunicou publicamente a fuga em junho para evitar o cumprimento de pena de 10 anos imposta pelo STF por invasão de sistemas do CNJ e falsidade ideológica.
Caso a extradição seja aprovada pela Corte de Apelação, ainda caberão recursos à Corte de Cassação e decisão final do Ministério da Justiça italiano.


















