Processo por improbidade avança contra chefe de gabinete de Hugo Motta
A Justiça Federal no Distrito Federal decidiu manter a ação de improbidade administrativa contra Ivanadja Velloso Meira Lima, atual chefe de gabinete do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB).
A acusação envolve suposto esquema de rachadinha com funcionário fantasma no gabinete do ex-deputado Wilson Santiago (Republicanos-PB), aliado político de Motta, entre 2005 e 2009.
A sentença, emitida na terça-feira (16/12), rejeitou a tese de prescrição defendida pela ré, permitindo que o processo, iniciado pelo Ministério Público Federal (MPF), siga adiante. O juiz baseou-se em jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que estabelece que, em casos de nomeações sucessivas em cargos comissionados, o prazo para prescrição só inicia após o fim definitivo do vínculo com a administração pública.
Ivanadja mantém emprego ininterrupto na Câmara desde então, tendo migrado diretamente do gabinete de Wilson Santiago para o de Hugo Motta em fevereiro de 2011.
O MPF alega que Ivanadja enriqueceu ilicitamente ao incorporar recursos públicos, por meio da nomeação de Francisco Macena Duarte como secretário parlamentar, sem que ele efetivamente trabalhasse na Casa Legislativa. Os pagamentos indevidos teriam causado prejuízo de R$ 224 mil aos cofres federais.
Em depoimento, o suposto funcionário fantasma confessou nunca ter estado em Brasília, desconhecer o valor de seu salário e o número de sua conta bancária, além de admitir que atuava como motorista na Prefeitura de Poço de Dantas (PB), com carga horária integral de 40 horas semanais – o que inviabilizava qualquer serviço na Câmara.
Documentos revelam que Ivanadja possuía procuração ampla de Francisco, permitindo saques, emissões de cheques e movimentações financeiras em seu nome. Atualmente, ela detém poderes semelhantes para manejar salários de pelo menos 10 assessores ou ex-assessores do gabinete de Hugo Motta, onde recebe remuneração superior a R$ 18 mil.
Com o avanço da ação, o caso entra em etapa de definição de provas: as partes têm 15 dias para manifestar interesse em novas evidências. A defesa de Ivanadja indicou desejo de ouvir testemunhas, enquanto o MPF dispensou produção adicional de provas documentais ou acordos cíveis.
Essa investigação sobre rachadinha envolvendo chefe de gabinete de Hugo Motta expõe práticas antigas de desvio de verbas parlamentares via funcionários fantasmas, em um momento de escrutínio maior sobre o uso de cotas na Câmara dos Deputados.
O prosseguimento judicial pode trazer novas revelações sobre redes de influência no Congresso, afetando o ambiente político às vésperas de disputas internas pela liderança da Casa.


















