Trump nomeia enviado especial para Groenlândia e declara intenção de incorporar território aos EUA; Dinamarca reage com indignação
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou no domingo (21 de dezembro de 2025) a designação do governador da Louisiana, Jeff Landry, como enviado especial para a Groenlândia, território autônomo pertencente ao Reino da Dinamarca. A decisão reacende tensões diplomáticas, especialmente após Landry afirmar publicamente sua meta de integrar a ilha ao território americano.
Em publicação na rede Truth Social, Trump destacou: “Tenho o prazer de anunciar que estou nomeando o GRANDE governador da Louisiana, Jeff Landry, como Enviado Especial dos Estados Unidos para a Groenlândia. Jeff entende como a Groenlândia é essencial para nossa Segurança Nacional e irá defender fortemente os interesses do nosso país em prol da Segurança, Proteção e Sobrevivência de nossos Aliados e, de fato, do Mundo.”
Landry, por sua vez, respondeu nas redes sociais: “é uma honra servir (…) nesta função voluntária para fazer da Groenlândia parte dos EUA.”
A Groenlândia, maior ilha do mundo com cerca de 57 mil habitantes e rica em minerais raros, hidrocarbonetos e posição estratégica no Ártico, tem sido alvo recorrente das ambições de Trump. Ele já manifestou interesse em adquirir o território durante seu primeiro mandato e, ao longo de 2025, reforçou a importância da ilha para monitorar ameaças russas e chinesas, além de abrigar bases militares americanas.
A reação dinamarquesa foi imediata e firme. O ministro das Relações Exteriores da Dinamarca, Lars Rasmussen, convocou o embaixador dos EUA em Copenhague e declarou à TV 2: “Estou profundamente incomodado com esta nomeação de um enviado especial. E estou particularmente incomodado com suas declarações, que consideramos totalmente inaceitáveis.”
Do lado groenlandês, a parlamentar Aaja Chemnitz criticou a iniciativa à agência Reuters: “O problema é que ele recebeu a tarefa de assumir a Groenlândia ou torná-la parte dos Estados Unidos — e não há qualquer desejo disso na Groenlândia.”
O primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, exigiu respeito à soberania e à autodeterminação da ilha, enquanto a União Europeia manifestou apoio à preservação da integridade territorial do Reino da Dinamarca.
Historicamente, propostas semelhantes já foram rejeitadas: o presidente Harry Truman ofereceu US$ 100 milhões pela Groenlândia após a Segunda Guerra Mundial, sem sucesso. Pesquisas recentes indicam que apenas 6% dos groenlandeses apoiam uma incorporação aos EUA, com a maioria priorizando a independência gradual da Dinamarca, sem substituir por outra dependência.
A nomeação de Landry ocorre em meio a ameaças americanas de tarifas contra a Dinamarca e debates sobre o uso de força, elevando preocupações sobre a estabilidade nas relações transatlânticas e o controle estratégico do Ártico em tempos de aquecimento global e disputas por recursos.

















