Ministro Jhonatan de Jesus, ex-deputado aliado de Arthur Lira, dá prazo até segunda-feira para BC justificar medida extrema; caso envolve suspeitas de fraudes bilionárias e causa estranheza no setor financeiro.
O Tribunal de Contas da União (TCU) intensificou a pressão sobre o Banco Central (BC) ao exigir esclarecimentos detalhados sobre a decisão de liquidar extrajudicialmente o Banco Master, em novembro deste ano.
O ministro relator do processo, Jhonatan de Jesus – ex-deputado federal por Roraima e o mais jovem integrante da Corte, com 42 anos –, estabeleceu prazo até a próxima segunda-feira para que a autoridade monetária apresente as justificativas da medida.
Em despacho cautelar, Jhonatan de Jesus solicitou que o BC esclareça a “fundamentação e motivação” para a decretação da liquidação extrajudicial, “com indicação sintética dos principais marcos decisórios e do racional determinante para a adoção da medida extrema naquele momento”.
A determinação ocorre em meio à Operação Compliance Zero da Polícia Federal (PF), que apura fraudes estimadas em R$ 12,2 bilhões em transações entre o Master e o Banco de Brasília (BRB). A liquidação foi decretada em 18 de novembro, no mesmo dia da prisão do controlador do Master, Daniel Vorcaro. O negócio de venda do banco ao BRB havia sido vetado pelo BC anteriormente.
A intervenção do TCU gerou surpresa no mercado, uma vez que a autarquia não utiliza recursos públicos federais em processos de liquidação, e as operações suspeitas envolvem principalmente instituições privadas. Nos bastidores, diretores do BC afirmam que todos os passos foram devidamente documentados, prevendo questionamentos judiciais e de órgãos fiscalizadores.
Perfil do Ministro Relator: Jhonatan de Jesus
Indicado ao TCU pelo partido Republicanos em 2023 e nomeado pelo presidente Lula, Jhonatan de Jesus assumiu a vaga aos 39 anos, com mandato até completar 75 anos, em 2058. Ele foi eleito deputado federal por Roraima em quatro mandatos consecutivos, começando aos 27 anos, ainda como estudante de medicina.
Sua aprovação na Câmara dos Deputados contou com apoio amplo, incluindo o então presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL), de quem é considerado aliado próximo. Jhonatan recebeu 239 votos, beneficiado por articulações que coincidiram com a campanha de reeleição de Lira. Outros apoiadores incluem o líder nacional do Republicanos, Marcos Pereira, e partidos de diversos espectros, como PT, PP, MDB e União Brasil.
Filho do senador Mecias de Jesus (Republicanos-RR), o ministro tem raízes familiares na política e no agronegócio de Roraima.
O processo no TCU investiga possível omissão ou demora do BC na fiscalização do Master durante sua crise prolongada, mas o foco recente recai sobre os motivos da liquidação considerada “extrema”.


















