Territórios em donbas e controle da usina nuclear de zaporizhzhia são principais obstáculos em plano de 20 pontos
Embora Rússia, Estados Unidos e Ucrânia concordem que um acordo de paz para encerrar quase quatro anos de conflito está próximo, o presidente americano Donald Trump alertou para a existência de “uma ou duas questões muito difíceis, muito espinhosas” ainda pendentes.
Dois dos principais impasses no plano de 20 pontos proposto por Washington envolvem disputas territoriais e o futuro da usina nuclear de Zaporizhzhia, a maior da Europa, sob ocupação russa desde 2022.
O Kremlin confirma que as negociações estão em “estágio final”, enquanto o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky prepara reunião com líderes europeus na França em 6 de janeiro de 2026.
No entanto, qualquer desses temas sensíveis pode comprometer o entendimento.
Disputa pelo controle de Donbas
Vladimir Putin mantém a demanda por incorporação total da região industrial de Donbas, incluindo áreas ainda sob controle ucraniano como as cidades de Sloviansk e Kramatorsk.
“Não podemos simplesmente nos retirar, é contra a nossa legislação”, declarou Zelensky. “Não é apenas a legislação. Pessoas moram ali, 300 mil pessoas… Não podemos perder aquelas pessoas.”
O líder ucraniano sugere uma solução intermediária: retirada mútua de forças para criar uma zona desmilitarizada ou econômica livre, com supervisão internacional na linha de frente atual.
“Se as autoridades em Kiev não quiserem definir esta questão pacificamente, nós resolveremos todos os problemas à nossa frente por meios militares”, rebateu Putin.
Analistas indicam que, ao ritmo atual, a Rússia poderia conquistar o restante de Donetsk apenas em 2027. Um enviado russo mencionou possibilidade de ausência de tropas de ambos os lados em Donbas, mas insistiu que o território integraria a Federação Russa.
A proposta de Zelensky incluiria retirada russa de outras áreas com presença limitada, como regiões de Kharkiv, Sumy, Dnipropetrovsk e Mykolaiv.
Futuro da usina nuclear de Zaporizhzhia
Ocupada pela Rússia desde março de 2022, a planta em Enerhodar permanece desligada há mais de três anos, dependendo de energia ucraniana para evitar acidentes.
A Ucrânia defende desmilitarização e transformação em zona econômica livre. O plano americano sugere administração conjunta pelos EUA, Rússia e Ucrânia.
Kiev rejeita essa ideia, propondo gestão bilateral com Washington, decidindo o destino de parte da energia – possivelmente para a Rússia.
O chefe da Rosatom russa afirmou que apenas Moscou pode garantir segurança operacional, abrindo espaço para fornecimento de eletricidade à Ucrânia via cooperação internacional.
Investimentos massivos seriam necessários, incluindo reconstrução da represa de Kakhovka para resfriamento.
Outros impasses e falta de confiança
A desconfiança mútua complica avanços.
“Não confio nos russos e… não confio em Putin e ele não quer o sucesso da Ucrânia”, afirmou Zelensky, reagindo a declarações de Trump sobre suposta disposição russa para ajudar Kiev.
Moscou acusa Kiev de ataques não comprovados, enquanto Ucrânia vê pretextos para escalada.
Outros temas incluem garantias de segurança semelhantes à Otan, limitação de tropas ucranianas em 800 mil, reparações estimadas em US$ 800 bilhões, uso de ativos russos congelados na Europa, rejeição à adesão ucraniana à Otan e União Europeia, e realização de referendo popular.
“O referendo é o caminho para aceitar ou não o acordo”, defendeu Zelensky, propondo cessar-fogo de 60 dias para consulta.
O Kremlin vê pausa temporária como prolongamento do conflito.
Esses obstáculos destacam fragilidades no plano de paz Rússia-Ucrânia, mediado por Trump, em um momento de exaustão militar mútua e pressões internacionais por resolução diplomática.


















