Parlamentares da oposição falam em insensibilidade e perseguição política diante de quadro de saúde fragilizado do Presidente
Aliados do presidente Jair Bolsonaro (PL) manifestaram forte indignação com a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que indeferiu o pedido de prisão domiciliar humanitária logo após a alta hospitalar do presidente nesta quinta-feira (1º).
Parlamentares oposicionistas classificaram a medida como insensível, citando riscos à saúde e chegando a mencionar tortura.
Bolsonaro deixou o Hospital DF Star, em Brasília, após uma semana de internação com múltiplos procedimentos para tratar crises de soluços crônicas e complicações gastrointestinais, sequelas do atentado de 2018.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, questionou diretamente:
“Até quando Moraes terá procuração para praticar a tortura?”.
Ele destacou que o laudo médico “é claro ao apontar a necessidade de cuidados permanentes que não podem ser garantidos numa prisão” e alertou para o risco de acidente vascular cerebral (AVC).
A deputada federal Carol de Toni (PL-SC) viu na negativa a continuidade de uma “perseguição política”.
“A tirania parece não ter fim”, escreveu nas redes sociais.
O deputado federal Gustavo Gayer (PL-GO), pré-candidato ao Senado, afirmou que “Moraes está condenando Bolsonaro a uma pena que há muito tempo foi banida da Constituição”.
Ele também ironizou o contrato milionário da esposa do ministro com o Banco Master: “Talvez se Bolsonaro tivesse contratado um certo escritório de advocacia de uma certa esposa por R$ 129 milhões ele nem sequer teria sido julgado”.
Já o deputado federal Bibo Nunes (PL-RS) enfatizou que manter preso “um idoso com mais de 70 anos, saúde fragilizada, sob risco de quedas, oscilações de pressão e dependente de cuidados médicos contínuos” ultrapassa “qualquer limite de humanidade”.
“Mesmo diante de laudos médicos claros, o ministro negou a prisão domiciliar, ignorando os cuidados necessários no pós-operatório e os riscos reais à vida do ex-presidente. Isso não é Justiça”, completou.
Fundamentação da decisão de Moraes
Moraes justificou a negativa alegando “não houve agravamento da situação de saúde de Jair Messias Bolsonaro, mas sim quadro clínico de melhora dos desconfortos após a realização de cirurgias eletivas”, com base em laudo médico.
A defesa argumenta que o pós-operatório exige assistência especial e que as condições carcerárias podem piorar o quadro clínico.
Pedidos semelhantes já haviam sido rejeitados em 22 de novembro e 19 de dezembro de 2025. A equipe jurídica compara o caso ao de ex-presidente Fernando Collor, que obteve prisão domiciliar.
Essa polêmica reacende debates sobre prisão domiciliar humanitária, tratamento de condenados de alto perfil e limites da custódia penal em casos de vulnerabilidade de saúde, no contexto da condenação de Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado.
O presidente retorna ao regime fechado na Superintendência da Polícia Federal em Brasília.


















