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França vota contra a ratificação do acordo União Europeia-Mercosul

Macron anuncia voto contra acordo UE-Mercosul e intensifica crise diplomática

O presidente da França, Emmanuel Macron, confirmou nesta quinta-feira (8) que votará contra a ratificação do acordo comercial entre União Europeia e Mercosul, alegando riscos à agricultura europeia e ao meio ambiente.

A declaração, feita em coletiva de imprensa ao lado de agricultores franceses, reforça a posição histórica de Paris contra o tratado e pode comprometer definitivamente sua aprovação no bloco europeu.

Macron justificou a decisão com preocupações sobre concorrência desleal de produtos sul-americanos, especialmente carne bovina e aves do Brasil, produzidos sob normas ambientais e sanitárias menos rigorosas que as da UE.

“Não podemos aceitar um acordo que ameaça nossa soberania alimentar e nossos padrões ambientais”, afirmou o líder francês, destacando que a França “votará contra” na votação final prevista para os próximos meses.

A posição francesa ganha peso após a Comissão Europeia liberar antecipadamente € 45 bilhões em incentivos aos agricultores do bloco para aumentar competitividade frente ao Mercosul.

Apesar da medida, Macron considerou os recursos insuficientes e exigiu salvaguardas mais robustas, incluindo suspensão imediata de importações com resíduos de agrotóxicos proibidos na Europa – ação já adotada unilateralmente pela França contra itens brasileiros e argentinos.

A declaração provocou reação imediata no Brasil. O Ministério das Relações Exteriores emitiu nota criticando a postura protecionista e defendendo que o acordo traria benefícios mútuos, com eliminação de tarifas e maior acesso ao mercado europeu para produtos industriais brasileiros.

Analistas apontam risco real de colapso das negociações, iniciadas há mais de 20 anos, especialmente se outros países como Polônia e Hungria seguirem o exemplo francês.

A Itália, sob Giorgia Meloni, havia recuado da oposição após concessões da Comissão Europeia, mas a França mantém liderança no bloco resistente.

Para aprovação, o acordo necessita de maioria qualificada no Conselho Europeu e ratificação pelo Parlamento Europeu.

O impasse ocorre em momento de tensão transatlântica agravada pelas ações de Donald Trump na América Latina, incluindo a intervenção na Venezuela.

Especialistas veem o veto francês como sinal de fragmentação na política comercial da UE, com impactos em cadeias globais de suprimentos agrícolas.

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