Banco Central classifica como sigilosas comunicações com Alexandre de Moraes sobre o caso Banco Master
O Banco Central do Brasil (BC) determinou o sigilo de todas as comunicações trocadas com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, referentes à liquidação extrajudicial do Banco Master.
A decisão, tomada nesta quinta-feira (8), impede o acesso público a trocas de ofícios, relatórios e mensagens que detalham o processo de intervenção na instituição financeira controlada por Daniel Vorcaro.
A classificação de sigilo foi aplicada após pedidos de acesso via Lei de Acesso à Informação (LAI) sobre o conteúdo das correspondências entre o BC e o gabinete de Moraes, que acompanha ações relacionadas ao caso.
A autoridade monetária justificou a medida com base na proteção de informações sensíveis que poderiam comprometer investigações em curso ou a estabilidade do sistema financeiro.
O sigilo ganha relevância em meio às controvérsias envolvendo a liquidação do Master, decretada em novembro de 2025 após detecção de fraudes em contratos de repasse com o Banco de Brasília (BRB) no valor de R$ 12,2 bilhões.
Recentemente, o Tribunal de Contas da União (TCU) abriu inspeção urgente no BC questionando a medida, enquanto ministros do STF manifestaram reprovação à iniciativa do órgão de controle.
Fontes próximas ao processo indicam que as comunicações com Moraes incluem atualizações técnicas sobre o andamento da liquidação e eventuais impactos em inquéritos judiciais paralelos.
A homologação da liquidação nos Estados Unidos nesta semana reforça a necessidade de coordenação internacional, o que pode justificar a reserva de dados.
Críticos veem a classificação como tentativa de blindar o BC de escrutínio público em um caso de alta visibilidade política e financeira.
A defesa de Daniel Vorcaro alega que a intervenção foi precipitada e busca reverter a decisão, enquanto o BC mantém que a medida protegeu o sistema nacional de pagamentos e credores.
O episódio amplifica debates sobre transparência institucional, autonomia do Banco Central e limites de fiscalização em intervenções financeiras.
Até o momento, nem o BC nem o STF comentaram publicamente a classificação de sigilo.


















