Trump ameaça intervenção militar no Irã: ‘Vamos atingi-los muito duramente’ se regime matar manifestantes
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a endurecer o tom contra o regime iraniano em meio à onda de protestos que sacode o Irã desde o final de dezembro de 2025.
Em declarações feitas na sexta-feira (9 de janeiro de 2026), Trump afirmou que os EUA não tolerarão mortes de manifestantes pelas forças de segurança do aiatolá Ali Khamenei e prometeu uma resposta militar pesada caso o regime “comece a matar pessoas”.
Durante entrevista ao apresentador de rádio conservador Hugh Hewitt, Trump foi direto:
“Deixei claro para eles que, se começarem a matar pessoas — o que tendem a fazer durante seus distúrbios, eles têm muitos distúrbios —, se fizerem isso, nós os atingiremos muito duramente”. Ele acrescentou que seu governo está monitorando a situação de perto e reforçou: “Vamos atingi-los com muita força onde mais dói”.
A ameaça não é nova: no dia 2 de janeiro, Trump já havia publicado na rede Truth Social que os EUA estão “prontos para agir” se manifestantes pacíficos forem mortos violentamente, ecoando a retórica de intervenção que marcou sua administração anterior e a recente operação bem-sucedida na Venezuela (captura de Nicolás Maduro).
Contexto da crise no Irã
Os protestos, iniciados por motivos econômicos – como a desvalorização do rial (perda de metade do valor frente ao dólar em 2025) e inflação acima de 40% em dezembro –, evoluíram para demandas explícitas pela renúncia de Khamenei e o fim da República Islâmica.
As manifestações se espalharam por pelo menos 25 das 31 províncias do país, com cenas de caos em Teerã, Mashhad e outras cidades: incêndios em veículos, destruição de prédios públicos e gritos de “Morte ao ditador”.
Organizações de direitos humanos registram mais de 60 mortes desde o início da crise, incluindo civis, crianças e membros das forças de segurança.
O dia mais sangrento foi registrado na quinta-feira (8 de janeiro), com pelo menos 13 óbitos confirmados.
Em resposta, o governo intensificou a repressão com gás lacrimogêneo, balas reais e prisões em massa, além de decretar um apagão quase total da internet e comunicações telefônicas.
Resposta de Khamenei
No mesmo dia, o líder supremo Ali Khamenei fez seu primeiro pronunciamento oficial desde o início dos atos, transmitido pela TV estatal. Ele classificou os manifestantes como “vândalos” e “sabotadores”, acusando-os de agir para “agradar o presidente dos Estados Unidos”.
Khamenei afirmou:
“Um grupo destruiu prédios que pertenciam ao próprio povo apenas para agradar o presidente dos Estados Unidos”. Ele desafiou Trump diretamente, dizendo que o líder americano deveria “cuidar do seu próprio país” e reforçou: “O governo não vai recuar”.
A escalada de ameaças entre Trump e Khamenei aumenta as tensões geopolíticas no Oriente Médio, em um momento em que o regime enfrenta uma das maiores crises internas desde as manifestações de 2009.
Analistas veem as declarações de Trump como pressão para desestabilizar o governo iraniano, enquanto o regime usa a retórica antiamericana para tentar unir forças internas.


















